O 25 DE ABRIL VISTO POR ROSA CASACO - 1

Dos textos referidos de Rosa Casaco, para edição, apresentamos aquele intitulado "Esse "25 de Abril". Nele, todo o conteúdo é pouco favorável ao 25 de Abril e seu significado. Quer o Portugal Continental, quer o Portugal Colonial sofreram um terrível golpe, a favor da União Soviética. Em tudo isto, ignorâncias, arrastamentos e deturpações por parte do povo e capitães responsáveis pelo Golpe de Estado.

Referência bibliográfica:

CASACO, António Rosa- Servi a pátria e acreditei no regime. S.l : Edição António Rosa Casaco, 2003.


Lisboa 25 de Abril de 1974 (foto Net)

ESSE "25 DE ABRIL"

"Para quem sentiu o desaparecimento de uma Pátria, para quem, simultaneamente, sentiu o desaparecimento de entes queridos, para quem foi escorraçado dos seus empregos, para quem perdeu bens e réditos, esse dia 25 de Abril de 1974 é um dia de luto profundo.

É, porém, evidente que outras centenas de milhar de indivíduos aclamaram como dia da liberdade essa mesma data, porquanto, a seu ver, a Democracia e a Liberdade do Povo Português nasceram, então, após uma noite de mais de quarenta anos de ditadura...

Nos dias que antecederam o quinto aniversário dessa data- sinistra para uns, aclamada por outros-, a RTVP e duas centenas de jornais, semanários, de revistas e magazines portugueses encheram-se de depoimentos, de imagens e de palavras, de desalento umas, congratulatórias outras.

Ao lado de todo um estendal de prosa subjectiva publicada em jornais de esquerda, aparece-nos, em jornais de direita, a outra face da Verdade, certamente tão subjectiva como a primeira.
Todas as revoluções triunfantes se declaram legitimadas pelo facto de serem (todas elas!) impulsos da consciência colectiva do povo.

A evolução do regime português instituido no dia 25 de Abril de 1974, é um caso que tem sido seguido pelos políticos europeus que sempre consideraram estranha a sobrevivência, por quase meio século, do regime do Dr. Oliveira Salazar.

É certo que em todos os países se registam revoluções a que a multidão desenfreada toma parte, após a vitória dum partido, nas manifestações exuberantes e quase sempre violentas dos vencedores sobre os vencidos, de sobre amedrontados. O povo, a que se referem os chefes vitoriosos nas suas proclamações, é quase sempre a canalha que teve medo mas conseguiu, uma vez armada e aceite pelos soldados vencedores, excedê-los nas suas manifestações de alegria, nas suas expansões, nas suas violências.

Nas guerras tribais que voltaram à África libertada da colonização os genocídios têm-se repetido, levando sempre um povo vingador.

No dia 5 de Outubro de 1910, por um perfeito bambúrrio, um punhado de soldados, marujos e revolucionários civis conseguiram implantar a República em Portugal. Os chefes militares que tinham jurado, ao rei, dedicação pelo regime monárquico, não se mexeram!! Os revoltosos só foram atacados por uma pequena unidade comandada pelo Cap. Paiva Couceiro. O rei Dom Manuel II, de 18 anos de idade, desamparado de todos, embarcou no yate real e demandou o porto de Gibraltar.

Dois dias depois, o Governo Provisório republicano, composto por homens de grande envergadura mental, dois dos quais catedráticos da Universidade de Coimbra, actuou de forma a minizar a actuação do povo, que logo apareceu como verdadeiro impulsionador do movimento libertador!

Em Portugal voltaram as unidades militares vencidas a entregar-se aos capitães actuantes e logo um rapazio gritador agitou toda a cidade de Lisboa, sendo apelidado de povo!

Uns cinco anos depois, no aniversário do "Movimento de 25 de Abril voltou o mito povo a ser evocado, com o mesmo fervor com que os Gregos evocaram Zeus e os Romanos evocaram Júpiter. Povo, Zeus, Júpiter- três mitos que, em épocas diferentes, foram os protectores do bicho homem que é bicho embalado pela Esperança que nunca se concretiza. Eu gostaria de falar dessa Esperança portuguesa do "25 de Abril" que anos depois deixou uma vereda com a Desilusão à vista. Desilusão! Frustração!

O professor Marcello Caetano afirmou que o problema do Ultramar não dependia apenas de Portugal, porquanto as pressões das grandes potências (que pretendiam chefiar grupos de noveis nações) eram enormes, em todos os campos (financeiro, económico, político, militar). Aquele ilustre estadista teve uma frase que merece relevo: "A política de integração tinha-se transformado em matéria de fé, criara certa mística e só lentamente seria possível chamar as pessoas à razão".- Para o falecido ex-chefe do Governo português tal posição era errada. Era tema de retórica e nada mais.

Ora, foram as Forças Armadas, inquinadas pelo marxismo, por oficiais milicianos comunistas que envenenaram os capitães ingénuos e pessimamente preparados,- culturalmente falando-, que desarmaram brancos e pretos portugueses, autorizando as violências inauditas que se verificaram sobre eles. Violências, em parte já referidas nesta obra, sobre mulheres e crianças, destruições de propriedades de toda a espécie, desrespeito à bandeira portuguesa, aniquilamento de uma obra de civilização cinco vezes secular.

Na Revolução, chamada dos cravos, que esfarrapou uma grande Nação, houve intensas emoções e agitações populares. Numa revolução o povo transforma-se em turba-multa e, por vezes, em canalha desregrada. É preciso não esquecer que o "25 de Abril" teve, na História Mundial, a importância de uma grande revolução, de uma profunda convulção. O mundo não percebeu que, com esta revolução, se entregaram à então União Soviética posições estratégicas que ela nunca sonhara obter sem derramar sangue. Não sabemos se os Estados Unidos o compreenderam!"

(p. 283-284)

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