Domingo _12 de maio de 21012.

ABEL CHIVUKUVUKU


 

"Mudança em Angola é inevitável"

OPOSIÇÃO Líder da terceira força política angolana diz que a "pobreza e má governação" vai obrigar a mexidas políticas no país até 2017

Abel Chivukuvuku, líder da CASA-CE, terceira força política angolana, defendeu que a"mudança em Angola é inevitável" devido "ao problema da pobreza e dama governação" e apontou 2017 como o prazo desejável para essa transformação.

Em entrevista à Lusa após uma semana de contactos em Lisboa, Chivukuvuku disse que Angola é um país que precisa de reformas" mas o actual regime "não tem nem vocação nem visão para as fazer".
A mudança em Angola é inevitável tendo em consideração o problema da pobreza, à má qualidade da governação, a corrupção, os desvios, o enriquecimento ilícito", apontou. Neste momento, o Presidente e Angola, José Eduardo dos Santos, "já não está à altura de fazer as reformas que o país precisa porque não tem convicções para tal", considerou.

Para o líder da Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral (CASA-CE), força política que surgiu há um ano e foi a terceira mais votada nas eleições de agosto de 2012, as mudanças têm de ser feitas num prazo de cinco a dez anos: "Quanto mais depressa melhor, por isso digo 2017, para que então o país tome um rumo diferente."

Chivukuvuku, que pós fim a uma militância de 38 anos na UNITA (principal força da oposição) para formar a CASA-CE, referiu-se a Angola como "um país com uma democracia incipiente) ainda em formação. Infelizmente, o processo democrático estagnou".

"Hoje temos uma democracia de fachada. Temos um Estado de direito legal, mas não funcional, temos um regime político autoritário e caracterizado pelo poder pessoal do Presidente da República. Temos uma economia em crescimento, mas uma economia de enclave porque é fundamentalmente dinamizada pelo sector petrolífero", indicou.

O dirigente político afirmou ainda que existe em Angola "um a estrutura social de alto risco com a maioria da população muito pobre e desigualdades tremendas com um grupo que em dez anos enriqueceu exponencialmente e de forma ilícita". A remodelação governamental feita esta semana em Angola, que envolveu dois ministros, incluindo o das Finanças, "não tem relevância ( nenhuma para a situação do país", no entender de Chivukuvuku.

Lusa