6.04.2012, 12:10

Angola - 10 anos sem guerra


Nesta primavera, Angola irá comemorar um aniversário importante: 10 anos sem guerra. Em 2002, terminou a guerra civil, que durou 30 anos e matou centenas de milhares de pessoas deste país africano. A guerra teve vários participantes: alguns eram apoiados pelo Zaire (atualmente a República Democrática do Congo), EUA e África do Sul, outros dependiam da ajuda da URSS e de Cuba.

A guerra começou no dia 25 de setembro de 1975, antes mesmo da declaração de independência, as tropas do Zaire entraram no território de Angola pelo Norte e se dirigiram para a capital do país, Luanda, controlada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). No dia 14 de outubro, o Sul do país foi invadido pelas tropas da África do Sul. Por isso, o líder do MPLA resolveu pedir apoio à URSS e a Cuba, que não demoraram a prestá-la. Quando as tropas do Zaire chegaram aos subúrbios de Luanda, navios da Alemanha Oriental com voluntários cubanos e armas soviéticas entraram no porto da cidade. Logo depois de desembarcarem, os soldados cubanos e os especialistas soviéticos entraram em combate. Eles usaram o novo sistema de mísseis "Grad" contra as tropas inimigas. Um fato interessante: depois destes eventos, o líder do Zaire Mobutu Sesse Seko chamou o embaixador soviético e perguntou: Porque vocês vendem aos nossos inimigos armas tão potentes?, o embaixador respondeu: Nós não temos outras.

Os conflitos armados continuaram durante décadas, Angola recebeu milhares de militares e civis russos, que ajudaram Angola a combater a altura o melhor exército do continente, o da África do Sul. Sobre o seu trabalho em Angola, fala Igor Lomakin, que esteve lá entre 1981 e 1983 e trabalhou como tradutor:

"Eu comecei a trabalhar em Luanda, depois fui mandado para a cidade de Menongue, na sede da região, depois fui mandado para a linha da frente. As tropas angolanas defendiam os pontos estratégicos: cidades, instalações econômicas importantes e rodovias estratégicas. Nós tentávamos evitar conflitos diretos, pois a União Soviética não declarara guerra contra a África do Sul. Por isso, a maioria dos combates eram realizados através de ataques da artilharia e bombardeios aéreos. Havia também conflitos terrestres. A inteligência informava aos nossos militares que em um certo quadrante estavam localizadas as tropas da África do Sul, depois disso nós usávamos toda a artilharia: morteiros e sistemas "Grad"."

Com a ajuda destas armas nós destruíamos tudo que estava localizado nesse quadrante, - lembra Lomakin. Claro, haviam situações onde as tropas da África do Sul conseguiam cercar os nossos soldados, que, sob pressão, recuavam. Os sul-africanos usavam helicópteros para procurar nossos conselheiros: não era difícil porque eram brancos em uma tropa de soldados negros. Por isso era fácil de nos acharem, às vezes prendiam-nos, às vezes matavam. Por exemplo, um rapaz que estudou comigo foi preso e condenado por crimes militares em uma prisão na África do Sul. Somente depois de um tempo ele foi trocado através da Cruz Vermelha por um piloto sul-africano.

Mais tarde, o grupo UNITA (União Nacional para a Independência Total da Angola), ficou isolado e começou a comprar armas através da venda dos diamantes, que foram chamados de "diamantes de sangue". Os conflitos entre o exército e os guerrilheiros da UNITA continuaram até ao começo de 2002. Depois da morte de líder dos guerrilheiros, Jonas Savimbi, o conflito terminou. O novo líder do UNITA, Antonio Dembo, assinou a paz com o MPLA no dia 30 de março de 2002, pondo fim a uma guerra civil que durou quase 30 anos.

Dez anos se passaram. Como mudou o país durante este tempo?

Angola é um país rico em recursos, o principal dos quais é o petróleo e os diamantes. Depois da assinatura do tratado de paz, a China começou a investir no país, como consequência a Angola se tornou um dos principais exportadores de petróleo para a China. A presença chinesa em Angola é bastante notável. Aqui moram e trabalham muitos chineses, além disso os produtos chineses estão em todo o lado.

De acordo com os dados, hoje, em Angola, mais de 20% das crianças não sobrevivem até aos 5 anos. A maioria dos habitantes até hoje não tem acesso aos cuidados básicos de vida, como por exemplo, água potável ou alimentação regular. O país tem um fosso colossal entre ricos e pobres.

Pode-se dizer que, mesmo com o grande número de momentos positivos, como o desenvolvimento das infraestruturas e a ausência de conflitos armados, ainda há muito que fazer.

Nota do editor do site: Os sul africanos entraram em Angola e recuaram por ordens expressas do governo sul-africano e dos EUA mas provocando milhares de mortos nas tropas angolanas e no exército cubano e nos russos. As tropas da FNLA comandadas pelo tenente-coronel português Santos e Castro foram derrotadas pelas FAPLA e pelos cubanos porque a África do Sul mandou retirar com um helicópetero as culatras dos três super-canhões G5 que arrazariam as tropas do MPLA e os cubanos.

O autor deste artigo desconhece a realidade do que se passou em Angola. Por isso para confirmar o que refiro nesta nota sugiro lerem as páginas que estão no meu site nestes links e ver os vídeos. Aí ficarão a saber a verdade!

http://www.tpissarro.com/savana.htm
http://www.tpissarro.com/ponte14.htm
http://www.tpissarro.com/cuito.htm
http://www.tpissarro.com/canavale.htm
http://www.tpissarro.com/batalha.htm