barra.gif (4849 bytes)   2 de Dezembro de 2007

Angola/32 anos: Roberto de Almeida esclarece razões da fuga massiva de quadros portugueses em 1975

Luanda, 2/12 - A grande divergência política entre os movimentos nacionais e a potência colonizadora em Angola, assim como a incerteza em relação ao futuro do país, levaram à fuga em massa de quadros portugueses na véspera da proclamação da independência de Angola em 1975.

Este ponto de vista foi manifestado sábado, pelo presidente da Assembleia Nacional, Roberto de Almeida, em entrevista exclusiva à Angop, em Luanda, destinada a fazer o balanço dos 32 anos de independência do país, assinalados a 11 de Novembro último.

Segundo Roberto de Almeida, naquela altura os quadros portugueses decidiram abandonar o país "porque não havia convivência política possível entre, por um lado, os movimentos nacionais e, por outro, a potência colonizadora - Portugal".

O presidente da Assembleia Nacional explicou que a potência colonizadora via nos movimentos nacionais "grupos de terroristas, negros drogados e munidos de catanas com o objectivo de matar os brancos".

Essa posição de hostilidade do colonizador, adiantou, levou ao abandono em massa dos quadros portugueses, porque instaurou-se um clima de incerteza em relação ao futuro do país com a ascensão ao poder de qualquer um dos três movimentos, nomeadamente o MPLA - que proclamou a independência - a Unita e a FNLA.

Roberto de Almeida, que procurou com esse argumento rebater a opinião segundo a qual após a independência correu-se deliberadamente com os quadros portugueses, não deixou contudo de admitir essa possibilidade em algumas situações isoladas.

Quanto ao significado histórico da independência, o presidente da Assembleia Nacional disse ser o nascimento de um novo país e soberano.

"Esse nascimento assumiu ainda maior relevo devido às circunstâncias que antecederam a independência", disse, referindo-se às várias tentativas de bloqueio da proclamação da independência.

O líder parlamentar apontou a esse propósito a grande invasão sul africana, em 14 de Outubro de 1975, e o avanço, pela fronteira norte, das tropas mistas do exército do ex-presidente do antigo Zaíre, Mobutu, e dos guerrilheiros da FNLA.

"Isso é histórico, ninguém pode desmentir e não temos razões para esconder, embora reconheça que estamos num momento de reconciliação nacional, mas a história é história e tem de ser mencionada", disse.

Adiantou ainda que houve igualmente uma grande pressão dos EUA - que também se opôs à independência - e a prova disso é que o reconhecimento do país, pela potência americana, aconteceu cerca de duas décadas depois, nos anos 90.

"Isso explica-se porque os EUA tinham uma aliança com Portugal na OTAN e não viam com muito bons olhos, dentro também do princípio da guerra fria, que esses territórios (dominados por Portugal) ascendessem à independência com direcções que não eram viradas para o ocidente", frisou.

De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, países como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau conduziram uma luta de libertação que, salvo honrosas excepções, não contou com o apoio da maior parte dos países e governos ocidentais.

Esse facto determinou que os mesmos procurassem aliança com os países da comunidade socialista, que apoiaram a sua luta de libertação.

Outro grande feito dos 32 anos destacado por Roberto de Almeida foi "conseguir manter a independência, através da salvaguarda da integridade territorial do novo Estado, já que após a sua proclamação os adversários procuraram derrubar o governo instalado contra a sua vontade".

"O primeiro dever era, portanto, a nossa própria defesa, a salvaguarda da integridade territorial do país, a defesa contra as invasões estrangeiras e contra os ataques internos das forças aliadas a esses exércitos estrangeiros e, depois, procurar reorganizar o país", sublinhou.

Roberto de Almeida disse que a reorganização do país, após a proclamação da independência, ressentiu-se profundamente com a falta de quadros em quase todos os sectores da vida, devido ao abandono de grande parte dos profissionais portugueses.

"Garantir administrativamente a marcha de um país novo nas circunstâncias em que ascendeu à independência foi um grande desafio", referiu.

O parlamentar reconheceu entretanto que em alguns casos a marcha do país conheceu uma tendência de anarquia por parte de alguns angolanos, mas as circunstâncias do momento levaram a tolerar o comportamento.

Roberto de Almeida disse que naquela altura não era aconselhável que, após o abandono dos colonialistas, o Governo aplicasse uma política de repressão, porque isso viria a ser a continuação da política colonial.

O presidente da Assembleia Nacional destacou também as grandes opções que se fizeram no campo político, económico e social, sublinhando a missão de formação de quadros, por forma a suprir o vazio deixado e garantir a continuação do país independente.

"O reconhecimento internacional de Angola que se seguiu à independência foi igualmente outro feito importante, graças ao empenho das missões diplomáticas criadas para o efeito", disse.

"Posso orgulhar-me de ter feito parte de algumas dessas missões, em que fomos contactar governos para reconhecer a independência de Angola, tivemos de argumentar razões e a importância do nosso reconhecimento, sobretudo num clima em que a própria potência colonizadora não nos tinha reconhecido", enfatizou.

No campo parlamentar, destacou o papel fundamental levado a cabo pelo Conselho da Revolução, criado com a independência, e a Assembleia do Povo, instaurada em 1980, que asseguraram a continuidade da função legislativa do novo Estado, bem como, já mais recentemente, a Assembleia Nacional, num quadro multipartidário.

"Qualquer desses órgãos teve grande importância, fizeram-se definições importantes no plano legislativo do que devia ser o nosso país", disse, apontando a título de exemplo a primeira Constituição do país.

Roberto de Almeida destacou ainda uma importante reunião realizada em 1976, onde foram definidas as linhas económicas do país - tendo sido decidido a política de economia centralizada como uma opção daquele contexto.

Com alguma nostalgia, recordou também o grande espírito de união das populações na defesa do país, destacando a Organização de Defesa Popular (ODP) e as Brigadas Populares de Vigilância (BPV), criadas com o repto do primeiro presidente de Angola, Agostinho, para uma "Resistência Popular Generalizada".

"Havia uma consciência nacional que passava em primeira linha pela defesa das fronteiras do país, por isso tenho dito que, por muito que possamos divergir no campo das ideias, como angolanos, devíamos convergir nessa questão da defesa do país, não permitindo que um país estrangeiro invada o nosso território", concluiu.

Entrevista conduzida por: David Mário e Rafael Casseca

Comentário do editor do site: O Sr. Presidente da Assembleia Nacional de Angola no seu discurso não diz a verdade dos factos como se pode constatar nos diversos textos que estão neste site. Por desconhecimento? Creio que não mas talvez por motivos políticos. A fuga massiva dos "colonos" de Angola não se deveu ao facto de os brancos considerarem os pretos terroristas. A nossa convivência tal como é actualmente aqui em Portugal era pacífica e cordial salvo algumas antigas excepções como a revolta da Baixa do Cassange que não foi um bom exemplo dos portugueses e que foi instigada propositadamente do exterior. O Sr. Presidente esqueceu-se da barbárie da UPA que, como o Sr. diz, mas noutro sentido, estavam efectivamente drogados com marufo e makonha e incitados pelo "feiticeiro" do kimbo clamavam que as balas dos brancos eram "água" (massa) chacinando à catanada milhares de brancos e os seus trabalhadores bailundos bem como crianças inocentes no Norte de Angola em 15 de Março de 1961 como mostram as fotos tiradas pelo reporter.

Os "colonos" queriam uma independência para TODOS tal como foi feita na África do Sul. A fuga massiva dos quadros e da restante população branca deveu-se principalmente ao facto de o MPLA com a ajuda do PCP português e a complacência do almirante vermelho Rosa Coutinho ultra-esquerdista do 25 de Abril, permitir que em Agosto de 1975 entrasse em Angola armamento moderno proveniente da URSS e a desmobilização antecipada das tropas portuguesas para que o MPLA pudesse assumir o poder com a ajuda das tropas cubanas que entraram em Angola na mesma data com material de guerra russo. Felizmente para o MPLA que os sul-africanos foram obrigados a retirar por ordem dos americanos e à FNLA foram-lhe retiradas pelos sul-africanos por ordem dos americanos as culatras dos super-canhões G-5 que já estavm no morro da cal perto de Luanda. Com esses canhões activos não havia "monocaxitos" (orgãos de Estaline) nem cubanos que lhe valessem.

O resultado da guerrilha urbana como não podia deixar de ser, foi para expulsar os outros partidos das cidades e tornar a vida impossível à população, principalmente aos brancos mesmo os nascidos em Angola que, por isso, tiveram de abandonar a sua querida terra deixando para trás tudo quanto tinham que foi o trabalho de uma vida. Uma nação que em 1975 era a mais próspera da África ocidental ficou completamente arruinada pelas guerras subsequentes das quais ainda hoje não se recompôs. Não culpe os "colonos" Sr. Presidente culpe sim o MPLA por se armar nas costas dos outros partidos como se poderá ver neste site nos jornais da época e mais tarde a UNITA que, por causa da ambição do poder do "muata" Savimbi não se entenderam prolongando uma guerra fraticida por cerca de 28 anos só inrrompida com a morte do "mais velho". Sr. Presidente, Angola foi arruinada pelos próprios angolanos. Esta é a verdade nua e crua que vos custa a aceitar !