Sábado, 28 de Setembro de 2009

Angolanos

O POVO A QUEM UM POETA DEU A INDEPENDÊNCIA

Nacionalidade e língua são dois dos elementos unificadores das etnias que constituem o povo que habita a maior e mais rica antiga colónia africana de Portugal

-LUMENA RAPOSO

Eles são ovimbundus, quimbundus, bacongos, mesticos, europeus...Estes são, afinal, angolanos, o povo que habita uma das antigas colónias portuguesas, a maior e a mais rica. Aquela que teve como primeiro presidente um poeta: Agostinho Neto. O homem que experimentou as cadeias da PIDE (polícia política do regime salazarista), onde aliás, escreveu um dos mais belos poemas de amor: "Um bouquet de rosas para o teu dia", dedicado a Maria Eugenia, a portuguesa com quem casou e que foi a sua única mulher.

Angolanos. Une-os a nacionalidade e, oficialmente, a língua, o português que lhes foi transmitido a partir dos finais do século XV pelo colonizador. O mesmo que lhes levou a religião da Cruz à sombra da qual muitos foram escravizados e explorados. Cinco séculos depois, é a rebelião. A luta começa no dealbar da década de 60 e vai até 1975 -ano da independência -, à qual se seguirá a guerra civil.

São 27 anos de um conflito que fez centenas de milhares de mortos - muitos mais do que a "guerra da independência"-e estropiados. Pago pelo petróleo e pelos diamantes só terminou com a morte do "líder rebelde", Jonas Savimbi. Hoje, em paz, Angola é ainda madrasta para o seu povo. Apesar de país rico em petróleo, diamantes, ouro, café, sisal, frutas tropicais e de ter um solo rico, a maior parte da sua população, cinco milhões dos quais têm menos de 15 anos, vive na pobreza. •


Foto DN

Símbolos. A bandeira preta e vermelha - com a sua catana, roda dentada e estrela - é o smbolo primeiro da República Popular de Angola, presente por isso, em qualquer manifestação pública.  Esta é de boas-vindas a José Eduardo dos Santos, cuja foto se vê estampada numa das "T-shirts "Zédu", como lhe chamam os amigos, foi o jovem engenheiro que o partido no poder, MPLA, escolheu para suceder a Agostinho Neto. E, desde então, já lá vão 30 anos.


Foto DN

Refugiados. A longa guerra que assolou o país, para além de ter feito milhares de mortos e de estropiados, provocou também uma vaga de refugiados, muitos dos quais ainda permanecem em países europeus ou mesmo do continente africano.


Foto DN

Pesca.  No Norte na Província de Uige, estes dois angolanos procuram aumentar o seu orçamento familiar recorrendo à pesca artesanal.


Foto DN

Exploração. Uma criança procede à recolha de ovos num aviário no antigo colonato na antiga Santa Comba, actual Wako-Kungo, que foi convertido num polémico projecto agrícola governamental inspirado nos Kibutzim, explorações agrícolas que foram a coluna dorsal da economia dos primeiros anos do Estado de Israel. No caso angolano, um dos principais objectivos foi procurar reintegrar antigos combatentes.


Foto DN

Economia. O colorido da fotografia não é suficiente para mascarar a realidade. Em agola o terceiro maior produtor de petróleo de África, por um lado a maior parte da população vive com menos de um dólar por dia, e, por outro, são normalmente as mulheres quem desce às ruas da cidade para vender as frutas e os legumes que a terra produz. Uma forma de ajudar a melhorar a economia familiar.