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O autor

                                                                                                            
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                                                                           Prefácio - Edição de Livros e Revistas
                                                                                                                prefacio@mail.telepac.pt                                                                     
                                                      
  José Victor de Brito Nogueira e Carvalho                                                        

                                                                      EM CONCLUSÃO

Neste excelente livro o autor relata minuciosamente o que se passou com a descolonização de Angola. Sugerimos vivamente a sua leitura a todos aqueles que estão interessados em saber a verdade sobre a descolonização e guerra em Angola. Como o livro tem copyright e não será fácil de adquirir àqueles que vivem em Angola, solicitamos a complacência da Editora e do Autor. Obrigado.

Pag. 235-238. NO ano DE 1974, a guerra militarmente, estava ganha em Angola. Em 1975 combati ao lado dum movimento pró-independência a FNLA, à data o movimento mais bem preparado para a guerra, e aí pude constatar que jamais seria um inimigo significativo, capaz de pôr em causa o êxito das nossas Forças Armadas.

Não tivesse existido o apoio dos ex-comandos Portugueses chefiados por Alves Cardoso, e jamais a FNLA teria posto em risco o MPLA na progressão a caminho da conquista de Luanda. E este movimento, sem o apoio de efectivos da URSS e de Cuba extraordinariamente intensificado após 25 de Abril de 1974, jamais constituiria também um perigo para o êxito da missão que cabia ao Exército Português.

Contudo, existe, e ainda hoje se procura manter, a ideia errada de que era impossível vencer esta guerra. Demagogicamente avoluma-se o conflito de então, para justificar a entrega desastrosa ao adversário, da qual resultaram prejuízos irrecuperáveis para ambos os lados. Os resultados são elucidativos e comprovam a falsidade dos argumentos que se defendem.

Angola com uma superfície de 1.246.700 km, é treze vezes e meia a área de Portugal.

Três Países, a Norte o Congo Brazaville e o Congo Kinshasa (este também a Nordeste e Leste), a Leste a Zâmbia, acoitavam e apoiavam directamente os movimentos pró-independência. Outros Países seguiam-lhe o exemplo. Em fins de 1973 contudo, estes não tinham já uma única base de apoio dentro de Angola, com excepção da UNITA pelos motivos atrás apontados.

Como explicar o fenómeno. Todos sabemos que a guerrilha cria a insegurança, por mais diminutos que sejam os seus efectivos. Isso não acontecia já em Angola, devendo colocar-se a interrogação de tal facto. A resposta é simples, e evidencia a realidade.

É que em Angola as populações não apoiavam já os movimentos pró-independência, pelo que estes não tinham qualquer possibilidade de sobrevivência. Daí a preocupação posterior após 25 de Abril de 1974 em jamais dar-lhe a possibilidade de se pronunciarem, se queriam a independência, e em caso afirmativo, como desejavam se processasse. É verdade que a guerrilha existiu, de 1961 a 1974, mas apenas devido a apoios exteriores intensivos, não conseguindo mesmo assim sobreviver. Ocasionou vítimas de ambos os lados, é uma realidade, e há que lamentá-las. Mas comparem-se estas com qualquer outra guerra ou guerrilha.

Numa extensão tão grande, com tantos apoios estranhos ao conflito, com tanta razão política invocada, porque não provocaram às nossas Forças Armadas em Angola durante 13 anos de confrontos, mais que 1.306 baixas em combate (incluindo africanos), número inferior se comparado com as baixas que anualmente se verificam em Portugal, só em acidentes de viação.

Porque se procura falsamente explorar que existem 140.000 homens que sofrem actualmente de perturbação pós-stress-traumático em resultado dos horrores que passaram na guerra. Como é possível esta ampliação que só prejudica as vítimas desta situação, que existem na realidade, mas em número infinitamente menor. Quem e qual a experiência daqueles que fazem a avaliação? Em que se fundamentam?

Será que a análise resultante do levantamento operacional se fundamenta no historial do combatente e da Unidade a que pertencia, dados a fornecer oficialmente pelas Forças Armadas?

É que no total, não mais de 20 a 30 mil homens tiveram contacto directo com o inimigo. É fácil recortar este número, e conviria também confrontá-lo com as vítimas de stress-traumático, de acidentes de viação, de agressões e assaltos de que diariamente são vítimas os Portugueses, perante o alheamento da comunicação social e impunidade dos agressores.

Porque se avivam constantemente erros e procedimentos condenáveis que tiveram lugar durante o período colonial, criando um fosso entre as novas gerações, que mal elucidadas, justificam todos os seus actos negativos num passado, que carece vingança para o equilíbrio de que foram vítimas os antepassados. Toda a amizade fraterna que existia com os nossos povos que nos fazia diferentes de todas as Nações colonizadoras tem vindo a desaparecer, não só por culpa de alguns governantes das ex-colónias, mas também pela actuação de muitos portugueses, alguns dos quais ocupando cargos de responsabilidade.

É necessário manter o respeito mútuo e tomar posições firmes quando justas, sempre que o bom nome da Nação Portuguesa é posto em causa. Caso contrário somos interpretados como tendo falta de coragem, merecendo o seu desprezo. Uma das grandes qualidades dos negros foi o de encararem sempre a justiça com muita justiça, que deve ser exercida, mesmo que contra eles seja.

Verificávamo-lo todos os dias e em todas as circunstâncias, e governante que assim não actuasse podia ser temido, mas não era respeitado. Como agora não têm que nos temer, se não nos soubermos dar ao respeito, não somos temidos nem respeitados, o que já tem sido evidenciado em algumas atitudes. Há que continuar a lutar para anular abismos que não têm já razão para "existir, e se retorne ao mesclar de raças, de costumes, de crenças e religiões, em que a amizade e confiança sejam uma constante. Que se derrubem os muros de separação que alguns políticos de ambos os lados levantam constantemente, e se alicercem elos de ligação.

Há também que saber esclarecer sobretudo as camadas mais jovens dos novos Países africanos, que também do seu lado houve atitudes condenáveis. Que salientar igualmente tudo o que de bom foi feito.

Em vez de relembrar actos menos positivos que só contribuem para que tudo se vá perdendo e que velhas amizades sejam transformadas em ódio, porque não evidenciar também, o maravilhoso País que lhes foi entregue, onde o desenvolvimento económico, sanitário e educativo, o colocavam em posição cimeira, quando comparado com os Países mais desenvolvidos do Continente Africano.

É necessário restabelecer a credibilidade e confiança mútua entre as camadas mais jovens, entre aqueles que futuramente presidirão ao destino dos nossos Países. Será mais benéfico e lucrativo para ambos, já que nos une um passado comum, onde tiveram lugar ocorrências positivas e menos positivas, que sempre têm lugar entre Países irmãos, com um elo de ligação que jamais pode ser apagado.

A paternidade e a língua.

É nesse sentido que todos devemos trabalhar, ocupando a comunicação social lugar cimeiro, não devendo dar voz e incentivar aqueles que só contribuem para a separação dos nossos povos. Que futuramente, sempre que nos despedirmos dum africano que pertence às ex-Províncias Ultramarinas Portuguesas, possamos dizer com convicção:

"N'S ALA KANAUA" *
Fica com DEUS

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