Domingo, 26 de Outubro de 2008

Angola. Aumenta investimento no turismo


(Foto DN)

Cuando-Cubango no projecto Kaza Park

Antigas "terras do fim do mundo" são hoje um novo horizonte de esperança

DAVID BORGES

Já foram "terras do fim do mundo" no tempo colonial, mas são, agora, e cada vez mais, as terras do futuro, terras das mais belas de Angola, encostadas no país às províncias do Moxico, Huíla e Cunene e fazendo fronteira com Zâmbia e Namíbia.

É esse Cuando-Cubango das chanas, das florestas e dos rios, paraíso de animais, campo de tantas batalhas, uma das mais minadas regiões do mundo, que vai entrar num dos mais sedutores espaços transfronteiriços do mundo, o Kaza Park, conjunto de territórios e belezas de Angola, Zâmbia, Namíbia, Botswana e Zimbabwe.

Kaza quer dizer Kavango-Zambezi, ou Cubango-Zambeze, dois importantes rios africanos, o primeiro nascido em Tchicala-Tchiloango, no planalto central angolano, e que, transformado já em Okavango, segue rumo ao seu fascinante destino nas areias do Calaári, o segundo com nascimento na Zâmbia e morte no Índico, em Moçambique. O projecto, assim identificado pelas duas míticas linhas de água, toca cinco países e reúne alguns dos mais importantes pontos turísticos de África, com a particularidade de prever a existência de um visto global, que permite viajar por qualquer parte no interior deste gigantesco parque transfronteiriço.

No Cuando-Cubango, feita a limpeza das minas semeadas pela guerra, prevê-se o nascimento de hotéis, estruturas de apoio a safaris, centros de pesca e de caça, acampamentos, restaurantes, lojas de artesanato, com recuperação dos aeroportos da região e reparação das estradas. O processo está em marcha e aberto a um investimento internacional que se deixe aliciar pela projecção deste enorme e diversificado espaço turístico, em cujo interior se localizam algumas das maravilhas do planeta - as quedas de Vitória (Zimbabwe), o delta do Okavango (Botswana), a namibiana faixa do Caprivi, o Parque Chobe (Zâmbia) e as chanas do Cuando-Cubango, com a sua intensa vida animal e os mil sítios que convocam todas as memórias, incluindo as mais recentes, as do brutal tempo de guerra, no espaço histórico do Cuíto-Canavale.

Esta região pode ser um pólo de progresso do país

O Cuando-Cubango, segunda maior província de Angola, foi, outrora, um marcante espaço de caça, sendo famosas as reservas de Luiana, Mavinga e Mucusso. Mais recentemente, foi um duro campo de batalha, região da Jamba da Unita e desse Cuíto-Canavale da mais importante batalha terrestre depois da Segunda Guerra Mundial. Esta região de Angola pode ser, agora, um poderoso pólo de desenvolvimento do pais, com o previsto investimento na criação de condições de atracção do grande segmento do turismo virado para a natureza, com sedutores percursos turísticos, alguns de novo já trilhados por quem, após a guerra, se apressou a redescobrir Angola.

Da capital da Hufla, Lubango, abre-se a fascinante viagem por Matala, Cuvango, Cuchi, Menongue, Cuíto-Canavale, Mavinga, Rivungo e Luiana. Do planalto central, desce-se para Menongue pelo Chitembo. Do Cunene, a rota pode ser ascendente, de Ondjiva para o Caiundo, ou na direcção de Savate, outro palco de combates na guerra contra a África do Sul, ou lateralmente, acompanhando a zona fronteiriça com a Namíbia, por Cuangar, Calai e Dirico, rumo a Luiana, podendo, depois, subir no mapa, mergulhando em Angola. Ou, já agora, indo para o lado oposto, em direcção à foz do Cunene, outro dos mágicos espaços de Angola.*