Rafael Del Pino Diaz

                  General de Brigada, veterano de Girón e Angola, 1987 foge para EUA

Nasceu em 22 de Setembro de 1938 em Pina del Rio. Depois do golpe de estado de Batista participa em algumas manifestações e é preso. Evitando problemas maiores, a família manda-o estudar para EUA. Em 1956 del Pino voltou a Cuba e imediatamente se incorporou no movimento revolucionário de "26 de Julho" liderado por Fidel Castro, por isso foi preso e foi exilado para a Venezuela. Em Caracas participa nas revoltas contra o ditador Perez Jiménez, é preso, mas sai pouco tempo depois de cair o ditador venezuelano. Viaja para Cuba clandestinamente e vai para as guerrilhas revolucionárias até ao triunfo revolucionário.

Termina a guerra com a patente de primeiro tenente e é incorporado na força aérea revolucionária. Começou o treino de voo em 1959. Em Março de 1061 teve o seu baptismo de fogo como piloto de caça ao abater um avião AT-11 infractor do espaço aéreo cubano. Pouco depois, em Abril de 1961 combate o desembarque na Baía dos Porcos. Em três dias faz dez voos de combate no seu T-33, abatendo dois B-26 dos invasores. Declaram-no herói da Praia Girón e é promovido juntamente com os outros pilotos.


Agostinho Neto cumprimentando Del Pino (foto Net)

É um dos primeiros pilotos escolhido para conhecer os MIG-15 em Agosto de 1961, sendo um dos três chefes de esquadrilha do primeiro esquadrão de MIG-15bis. Durante a "Crise dos Mísseis" de Outubro de 1962, foi assessor para a aviação de Fidel Castro. Em 1963 passa a ser chefe da base aérea de Holguín. Viaja para a União Soviética para aperfeiçoar a sua experiência nos aviões de combate soviéticos, e em 1965 graduou-se na Academia Superior de Guerra da Força Aérea Soviética "Yury Gagarin". Em 1966 é Director Geral de Cubana e logo substituto do chefe da DAAFAR. Em 1969 viaja para a Florida para regressar para o MIG-17 que desertou para os EUA e em 1972 mostra em voo o MIG-21 a diferentes delegações militares latino americanas para promover o equipamento russo.


Del Pino num MIG-23 (foto Net)

Ao começar a participação na guerra de Angola em Novembro de 1975, o coronel del Pino é nomeado chefe da Força Aérea Cubana no conflito. Tinha ordens de não combater até esperar ordem expressa de Havana, mas decide atacar por sua conta com o seu MIG-21 o inimigo que cercava um destacamento cubano. Por esta iniciativa, violando a ordem, foi destituído como chefe da FAR em Angola e substituído temporariamente por Carreras. Em Março de 1976 destrói com o seu MIG-21MF um avião Fokker F27 da guerrilha. Dias depois fica sem combustível e aterra com o seu MIG-21 na mesma aldeia natal do chefe da guerrilha Jonas Savimbi. Em 1977 é resgatado e viaja para a União Soviética para um curso de especializaão. Ele mesmo dirige a "Operação Pico" contra a República Dominicana.


Angola MIG-21 (foto Net)

Ao chegarem a Cuba os MIG-23, del Pino lidera o Esquadrão que os mostra pela primeira vez ao público no desfile de 2 de Janeiro de 1979. É promovido a general de Brigada em 1983, e ocupa o cargo de substituto do chefe da DAAFAR. Em princípios de 1987 deserta para os Estados Unidos num avião Cessna-402 de Aerocaribean, junto com a sua terceira esposa, sua filha pequena e o filho Ramsés, ex-piloto de MIG-23. Em Novembro de 1996 une-se a Eneido Oliva, segundo chefe militar da Brigada 2506 da Baía dos Porcos, fundando o "Conselho Militar Cubano Americano" (CAMOC), que agrupa os ex-militares cubanos no exílio. Publica os livros auto biográficos "Amanecer en Gión" (1982, "Inside Castros’s Bunker" (1989, "Proa a la Liberdad" (1990). Vive em algures nos Estados Unidos.

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Aviación Cubana

Comentários

General Rafael del Pino

29 de Dezembro de 2003.

Saudações Luís, é bom voltar a saber de ti. Espero que tenhas passado as festas de natal. O que me perguntas é um pouco extenso. Vamos fazer uma coisa eu vou colocar algumas notas que tenho escritas sobre isso e depois comentamos.

A história é longa. Fidel de Castro usou o seu monopólio total da informação dentro de Cuba para confundir a verdade e tratou por todos os meios de fazer crer ao povo que a libertação dos prisioneiros cubanos se deveu às suas próprias gestões, à coragem dos cubanos e a suposta debilidade dos rebeldes angolanos, mas em definitivo o que importa é que estão vivos, estão com as suas famílias e já a história futura se encarregará de aclarar tudo.

Em Abril de 1988 durante uma visita do Presidente da Fundação Nacional Cubana Americana senhor Jorge Mas Canosa ao quartel geral de Jonas Savimbi no Sul de Angola, o líder rebelde aproveitou a oportunidade para me enviar uma carta muito cordial convidando-me a visitá-lo. Eu já tinha tido várias entrevistas com o seu representante em Washington Tito Chingunchi pois quase desde a minha chegada aos Estados Unidos iniciei os contactos para interceder pela libertação do prisioneiros cubanos para tratar de recuperar as centenas de cadáveres dos nossos militares desaparecidos (missing in action) MIA. No dia 20 de Abril entreguei a Tito Chingunchi em Washington a minha carta em resposta para o líder rebelde angolano:

Washington DC, 20 de Abril de 1988

Estimado Doutor Jonas Savimbi,

Foi um grande prazer receber a sua carta de 1 de Abril. Agradeço-lhe de todo o coração ao cordial convite que me faz para visitar o seu quartel geral no território livre em Angola. Este seu gesto tem um significado extraordinário significando, não só para mim, mas também para todos os homens de boa vontade que desejam o fim da guerra, da violência e de uma paz justa e duraroura.

O facto de que o mesmo homem que no dia 13 de Março de 1976 teve de suportar o ataque indiscriminado dos meus aviões com toda a sua sequela de morte e destruição, nos envie hoje uma ramo de oliveira, mostra ao mundo que a paz pode conseguir-se e as feridas profundas da guerra podem cicatrizar com amor e compreensão.

A nossa intervenção militar em Angola foi um dos maiores crimes cometidos por Fidel Castro não só contra o povo angolano mas também contra a própria juventude que tem sido enviada para o matadouro somente para satisfazer as vaidades napoleónicas de um esquizofrénico. Denunciei e continuarei denunciando esta guerra injusta mas não posso aceitar o seu amável convite para visitar os territórios livres de Angola porque isso equivaleria atraiçoar os meus companheiros de armas que actualmente o combatem mas que desejam a paz tal como nós.

Não sou feito do mesmo material que Jane Fonda e asseguro-lhe que preferiria mil vezes suicidar-me antes de cometer a traição que cometeu esta senhora. Para protestar contra a intervenção numa guerra injusta ordenada por uma administração míope e irresponsável não é necessário manchar-se a honra e a dignidade. Eu fui para essa guerra convencido que lutava-mos contra os racistas sul-africanos e com o passar dos anos vimos que se tratava de algo muito diferente. Contra os racistas estou disposta a pegar nas minhas armas, contra os angolanos não e isso foi maioritariamente ao que se dedicaram as tropas cubanas depois de 13 de Março de 1976.

Para minha surpresa descobri que centenas de veteranos da guerra de Angola estão hoje exilados nos Estados Unidos e formámos um comité de veteranos das guerras africanas para denunciar ao mundo o genocídio que actualmente cometemos nesse sofrido continente. Como presidente desta organização pacifista peço-lhe que tome em consideração a eventual libertação de todos os prisioneiros cubanos sejam pilotos ou soldados de infantaria. Um gesto seu desta natureza seria uma contundente mensagem de paz diante da linguagem soberba e intolerante de Fidel Castro.

Reitero o meu agradecimento pelo convite e espero poder encontrar-nos em breve na sua projectada visita à cidade de Washigton.

Desejando-lhe, saúde e êxito na sua luta, sou,

Sinceramente,

Rafael del Pino

Através de Tito Chingunchi em Washington continuei os meus contactos com Savimbi tratando obter a libertação dos meus companheiros de armas. Em 15 de Junho entrega-me outra carta de Savimbi; informava-me que o esperavam em Washington em Julho e disse-me que o líder rebelde tinha grande interesse em entrevistar-se comigo durante essa visita.

Por fim no dia 10 de Julho aconteceu numa residência em Washington a entrevista com o presidente da UNITA Jonas Savimbi. O líder angolano adiantou-se a receber-me no vestíbulo e depois de nos cumprimentarmos cordialmente convidou-me para uma chá enquanto conversávamos. A personalidade de Savimbi causou-me uma grande impressão. Pelas fotografias que tinha visto dele tinha a ideia de um homem robusto, bem constituído, talvez tosco, que graças à sua força física e perseverança tinha conseguido sobreviver a mais de uma década de perseguição dos nossos milhares de soldados armados até aos dentes.

No entanto para minha surpresa encontrei um homem de baixa estatura, delgado, com modos refinados e modestos mais semelhante a um sacerdote que um líder rebelde. Não sei porque começámos a nossa conversa em Inglês, sem nos apercebermos passamos a Espanhol, depois em Português e terminámos com os três idiomas.

A conversa iniciou-se recordando o devastador ataque que fiz com os meus aviões naquela manhã de 13 de Março de 1976 e segundo me conta o próprio Savimbi esteve a ponto de perder a vida pois ele encontrava-se entrando no aeroporto nesse momento. Eu sabia que lhe tínhamos causado numerosas baixas mas nunca imaginei que os estragos tinham sido tão sensíveis. A partir daquele dia, contou-me o líder rebelde, começou uma etapa de subsistência que durou quase dois anos até que pode voltar a recuperar-se e reiniciar a luta contra o regime marxista e as forças expedicionárias cubanas.

Quando abordamos o tema dos prisioneiros de guerra em seu poder disse-me que o preocupava que Fidel Castro pudesse usar esse gesto da UNITA em benefício próprio, montando uma grande campanha de propaganda dentro das suas forças armadas para que os seus militares se sentissem seguros em África fazendo-lhes crer que passasse o que passasse ele sempre os resgataria.

Argumentei a Savimbi que eu não duvidava que Fidel Castro montasse esta campanha mas que duvidava que os militares cubanos fossem tão ingénuos que acreditassem e lhe dei o meu exemplo pessoal que sendo um general e chefe da força aérea no início da intervenção militar sempre considerei que a nossa participação no conflito armado angolano depois dos sul-africanos se terem retirado, dedicando-nos a caçar o líder rebelde, era uma loucura.

Além disso fui sincero e confessei-lhe que as minhas divergências principais com o Alto Comando Cubano radicavam na minha posição de elevar a nossa agressividade contra os sul-africanos subindo-lhes a parada tomando a iniciativa operativa e a posição de eles (Fidel e Raul) de não enfrentá-los e até proibirmos voar abaixo do paralelo 16 para não os "provocar". Savimbi ficou convencido com todos os argumentos que lhe expus. Falou-me muito bem do piloto prisioneiro coronel Manuel Rojas com o qual conversava frequentemente y que tinham chegado até ter relações amistosas.

Mostrou-se muito preocupado pelo outro piloto de apelido Quesada o qual não parava de chorar pela noite e assegurou-me que todos os prisioneiros que tinham sido capturados feridos os tinham tratado e lhe davam a devida atenção médica. Terminada a entrevista Savimbi prometeu-me que os prisioneiros seriam libertados e ao acompanhar-me até à porta Savimbi antes de despedir-se agarrou-me o braço e disse-me: General, obrigado por ter-se colocado ao lado do povo angolano. Esta não será a nossa última entrevista. Voltaremos a encontra-nos em uma Angola e uma Cuba livre.

http://www.cubafar.com/forum75/forum_posts.asp?TID=584

12 de Janeiro de 2003.

Gustavo,

Não tenho mais explicações porque Fidel tomou a decisão de não fazer regressar os cadáveres dos que morreram que a sua condição intrínseca de que o que só importa é a sua glória. O ter regressado os cadáveres ao tempo que se davam as baixas teria sido um bluff tremendo para a sua ditadura porque diariamente tinham de estar entrando sarcófagos pelo aeroporto José Marti. Ao terminar a guerra regressaram alguns cadáveres. Como isso foi em 1989 já eu tinha saído de Cuba e não tenho dados exactos de quantos cadáveres trouxeram e quantos ficaram e os que nunca apareceram.

A questão fundamental aqui e que Fidel tratou este conflito de grande envergadura com o mesmo desrespeito com que trata tudo o relacionado com os cubanos. Na sua quinta particular faz-se o que ele diz. Que importa que os familiares estejam sofrendo a perda dos seus filhos. O dono da quinta disse não e basta. O mais triste de tudo isto é que a maioria dos mortos que tivemos foram em primeiro lugar por acidentes e em segundo por incompetência dos chefes militares que enviavam ao combate ou a cumprir missões jovens sem experiência e acabados de chegar.

Em Angola só um avião Mig-21 foi abatido pelos sul-africanos o piloto chama-se Danasio e os outros dois Migs que foram abatidos pelo fogo anti-aéreo da UNITA um tripulado pelo coronel Henry Perez e o outro tripulado pelo coronel Manuel Rojas que ficou prisioneiro da UNITA. Essas foram todas as baixas em combate da aviação em 14 anos. No entanto tivemos dezenas de pilotos mortos e aviões perdidos por acidentes e má planificação dos chefes.

Eu creio que este capítulo de Angola todavia não se encerrou e terá que abrir-se novamente quando já não estiver em cena o dono da quinta. Alguém terá que responder por nos termos metido nesta guerra absurda e louca a dez mil quilómetros de Cuba.

13 de Janeiro de 2003

PMMM1

Considero que não me dedico a criticar nem tenho "um novo compromisso de criticar toda a história recente de Cuba". Nem me arrependo do tempo que passei em Angola nem da camaradagem e irmandade que sempre houve entre os combatentes. Não confundas as coisas. Nem confundas ser recto e disciplinado com extremista duro. Por ser como fui e exigir disciplina ao máximo não perdi um homem em todo o tempo que estive em Angola. Só morreu o chefe de combustíveis e lubrificantes ao voltar-se num jeep bêbado em Moçamedes. Pelo menos tenho a satisfação que os pais e as mães dos homens que serviram debaixo do meu comando tem a oportunidade de abraçar e beijar os seus filhos graças aos "extremismos" de que falas. Recomendo-te que leias se não o fizeste o meu livro "Proa a la Liberdad". Aí vais encontrar todas as respostas sobre a guerra de Angola.

Também não se deve confundir o valor e a iniciativa dos combatentes com a inépcia de alguns chefes militares que enviaram os seus homens ao matadouro. Como é o caso específico do general Valle Lazo que estava à frente de Luena na sua segunda missão. O mal há que curá-lo, criticá-lo e não esquecê-lo para que não volte a suceder.

A minha crítica maior vai para os responsáveis que enviaram dezenas de milhares de homens para um país a 10.000 quilómetros de Cuba e que depois deixaram milhares esquecidos atrás. Essa guerrinha amigo PMMM1 foi um joguinho napoleónico que fez Fidel para entreter-se e ter o povo de Cuba afastado dos grandes problemas em que se meteu. É uma pena que naquela época não houvesse joguinhos electrónicos para que Fidel se entretessem sem necessidade de mandar os cubanos para morrerem em África. Por último, amigo PMMM1 não tenho porque pedir-te um espaço ao exílio de Miami. Em primeiro lugar porque nem vivo nem me interessa viver ali e em segundo porque eu tenho as minhas próprias convicções ainda que respeite as deles. O respeito ao direito alheio é a melhor medicina a 43 anos de machismo e intolerância.

Obrigado novamente por participar neste fórum. Esperamos que sigas activo.

PMM1 e General Del Pino,

PMMM1 Eu fui com o primeiro grupo de tropas especiais nos Britannias quando fazia falta parar a FNLA e o exército do Zaire pelo Norte. Derrotamo-los em Quifangondo e depois mandaram-me para o Sul quando os sul-africanos destruíram a ponte do rio Quevec ao sul da Cela. Ali foi onde conheci o general Del Pino que estava reparando a pista mobilizando os nativos locais. O tenente Efren que era o meu chefe e eu matámos umas vacas para que Del Pino pudesse dar de comer àquelas centenas de homens e crianças. Eu tenho boa recordação do general, especialmente naqueles dias um grupo nosso de exploração 50 quilómetros atrás das linhas inimigas foi surpreendido pelo inimigo e quando estavam combatendo quase corpo a corpo Del Pino viajou até Luanda numa avioneta, apressou-se e entrou no seu avião Mig21 e voou de novo ao lugar bombardeando o inimigo. Graças a isso pude entrar o helicóptero e resgatar-nos. Depois soubemos que Del Pino tinha tido uma tremendo desentendido com Fidel e Raul porque como tu sabes todas as missões tinham de ser ordenadas de Havana. Se tivesse pedido a permissão primeiro a Havana enquanto a mensagem ia e vinha esses 13 homens já teriam sido mortos, no entanto não teve relutância em sacrificar a sua patente e a sua carreira pela vida deles.

Eu creio que quando Del Pino se refere a erros cometidos o faz para repor a verdade e verdade que cometemos muitos erros. O mais caro foi a morte do general Diaz Arguelles caindo numa mina que nós mesmos colocámos por não seguir as regras de procedimentos de guardar os planos onde se colocavam as minas. Nesse lamentável caso saiu também muito ferido o general Pascual Martinez Gil e outros oficiais.

Outra coisa que diferencia muito Del Pino dos seus chefes é que Del Pino enviou os seus filhos para Angola dando o exemplo e que eu saiba, de todos os filhos de Raul e Fidel que têm bastantes e em abundância nenhum foi para Angola.

28 de Março de 2004.

Saudações, Não sei, mas dá-me a impressão de que estão a colocar os MIG’s russos num "lugar" que nunca tiveram nem na Guerra Fria, nem em nenhuma outra confrontação dos dois "adversários", segundo o mesmo general del Pino, os aviões russos estavam e estão muitos anos atrasados em comparação com os aviões militares do ocidente, conta o general del Pino no seu livro "Proa a la Liberdad", que nos combates de confrontação em exercícios que se efectuavam em Angola, os aviões russos junto aos pilotos cubanos, ficavam em ridículo frente aos pilotos treinados no Ocidente com aviões norte-americanos, nesses exercícios os aviões do Ocidente lhe faziam passar as de "cain" aos pilotos cubanos, tanto que por não seguir fazendo de "urso", suspenderam todos os exercícios contra os aviões e pilotos treinados no Ocidente, gostaria que me explicassem mais acerca dessas tão "famosas bondades" que vocês o vêem tão obsoletos aparelhos, tão incómodos, tão pesados, sem travões, (cada vez que efectuavam um voo, tinha que se encher os tanques de ar, para que pudessem travar na seguinte aterragem, com uns comando tão pesados, que segundo o mesmo general del Pino, estão feitos para homens de pouca altura e braços como a caricatura de Popey o Marinheiro, (homens de força extraordinária),quando a fraude do comunismo se foi abaixo, o mundo inteiro se deu conta que os aviões soviéticos, estavam feitos de lâminas rebitadas umas nas outras, não tinham a técnica de soldadura, e gastavam tanto combustível, que quinhentos litros de gasolina, apenas durava uns minutos, nunca puderam voar nem atacar de noite, e muito menos tinham a tecnologia dos EUA, se fossem amáveis em explicar-me mais acerca de esses mastodontes fabricados pelos "bolos", agradeço-lhes, segundo os que sabem sobre este assunto, a Força Aérea Soviética, estava pelo menos 3º anos atrasada com respeito aos EUA, França ou Inglaterra. Saudações.

28 de Março de 2004.

Esquecia-me, no livro escrito pelo general Rafael del Pino, "Proa a la Liberdad", pode-se encontrar muita infirmação acerca de tão atrasados e obsoletos caças-bombardeiros, vão a ficar frios, ao parecer muitos dos combatentes que estiveram em Angola, não tem a mínima informação dos equipamentos Castro-comunistas. Em Angola, a aviação castrista, NUNCA, pode derrubar um avião ao inimigo, mas perderam-se muitos, por erros de fogo amigo, e inimigo também, eu creio que há pouca informação respeitante a isso, recomendo-lhe que leiam o livro escrito pelo general del Pino, desmistifica por completo a "grandeza" das tropas cubanas em África, como tudo o de Castro "ao fim e ao cabo", montando a história recente de Cuba, em pilares de completa fraude. Saudações.

O Retorno do Guerreiro

Capítulo 17

Nenemelis:

O exército do MPLA levantado pelo cubanos resultou ser, além disso, uma massa eterógenia de soviéticos, cubanos, alemães orientais e mercenários portugueses, que se bem dispunha de superioridade em volume de fogo e equipamento moderno, era incapaz de desenvolver a mobilidade necessária para liquidar a mobilidade de Savimbi.

Manchiviri:

O exército do MPLA (FAPLA), não foi levantado pelos cubanos, mas pelos soviéticos e não constituía uma massa heterogenia. Onde se misturavam cubanos e soviéticos e angolanos não havia assessores soviéticos e vice versa. Os elementos orientais nunca tiveram nada a ver com Angola. Não sei se Benemelis chama mercenários àqueles angolanos brancos, de ascendência portuguesa, que em número bastante reduzido tomaram parte na contenda. As FAPLA dispunham de superioridade em volume de fogo e modernidade de armamento, mas carecia de três factores essenciais: organização, disciplina e conceito de Pátria.

A UNITA, no entanto, apoiava-se no nacionalismo (tribalista) dos Umbundos o Ovimbundos, que é precisamente a povoação dominantes nas províncias angolanas como Benguela, Huambo, Bié e Cuango Cubango. Por exemplo: 1 – Soldados das FAPLA da província angolana do Uige, consideravam que eles não tinham nada que fazer no território do Cuando-Cubango.

http://www.cubafar.com/forum75/forum_posts.asp?TID=31

21 de Janeiro de 2003

A batalha de Cangambe em muito menor escala certamente foi o nosso Dien Bien Phu ou o Kee San em Angola. Eu tenho todos esses documentos no meu arquivo pessoal mas como estou em visita de trabalho na Alemanha não poderei dar-te as data ou cifras exactas mas no sentido geral posso falar-te de tudo o que se passou e como se passou. Cangambe é uma pequena povoação situada no centro-este de Angola. Ao sul da cidade de Luena e ao norte de Menongue. Ali havia uma Brigada das FAPLA com uns 35 assessores cubanos do continente de que falei anteriormente chamado Los Olivos. Cangambe está em pleno território das tribos ovimbundo donde procedia Savimbi. Portanto esse era o seu território.

Nessa data ou seja, em meados de 1983 já Savimbi tinha libertado todo o campo e as tropas das FAPLA e nós nos concentrávamos somente nas cidades de Luanda, Huambo, Lugango, Luena, Malange, Saurimo, etc. Tomando Cangambe a UNITA assegurava o última pequena povoação ficando as FAPLA e nós só nas cidades. A UNITA cercou Cangambe e começou o combate. Antes de que o cerco se fechara muito tivemos a possibilidade de enviar um oficial apontador da força aérea num helicóptero para que dalí indicasse aos aviões onde bombardearem. A aviação esteve uma semana bombardeando sem cessar todas as posições da UNITA.

Ao quarto dia de combate tinham morrido mais de 20 cubanos dos assessores que ali havia. O general Romerico Sotomayor saiu de Munhango com um regimento de tanques para conseguir romper o cerco, a UNITA deixou que entrassem nas grandes savanas que por ser o período do cacimbo estavam com o capim todo seco e depois deitaram-lhe fogo. Aquilo foi o fim. Tivemos que utilizar todos os helicópteros que tínhamos para resgatar os “tanquistas” que tiveram que subir para cima dos tanques.

Enfim, a UNITA liquidou um regimento dos nossos tanques sem disparar um tiro. Este general que sempre foi um atrasado mas incondicional de Colome Ibarra é hoje nada menos que o chefe da ordem interior do MININT. Continuando com o combate de Cangambe os cubanos que estavam ali fizeram esbanjamento de heroísmo incluindo o médico que morreu também no combate.

Por fim depois de 5 dias de combate a UNITA retirou-se um pouco ao que parece para se reagrupar e aí o alto comando cubano deu a ordem para que fossemos lá com os helicópteros e retirarmos os cubanos. Certamente que a Brigada das FAPLA que ali estava resistiam porque viam os cubanos combatendo mas nós a retirar todos os cubanos nos helicópteros incluindo os mortos. A Brigada das FAPLA durou o que um “merengue” (doce) na porta de um colégio. Como sempre Fidel enviou felicitações pela heróica resistência, etc. etc. Mas o certo é que quando o fogo de verdade ficou sério o Alto Comando de Cuba ordenou abandonar os angolanos.

http://www.cubafar.com/forum75/forum_posts.asp?TID=31&PN=1&TPN=4

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