Domingo, 28 de Setembro de 2008

MPLA foi o grande vencedor das legislativas de 5 de Setembro relegando a UNITA para um segundo lugar

Angola. Na próxima terça-feira tomam posse os deputados eleitos a 5 de Setembro. Num Parlamento dominado pelo MPLA, os partidos da oposição prometem um trabalho "sério" para consolidar a paz e avanças na reconstrução de um país rico, como notam alguns, mas onde persistem inúmeros problemas.

Deputados ensaiam sessão no Parlamento em Luanda

Eleitos enumeram prioridades e início de ciclo político

A acreditar no dirigente da UNTTA Paulo "Lukamba" Gato, o maior partido da oposição de Angola está preparado para fazer "uma oposição séria", apesar de ter apenas 16 dos 22O deputados ao novo Parlamento.

Aquele deputado da UNITA e antigo coordenador da comissão de gestão do "Galo Negro" após a morte de Jonas Savimbi, em 2002, disse à agência Lusa que, embora com esta "correlação de forças", o Parlamento deverá estar "à altura das exigências do exercício democrático".

"Somos um partido forte e vamos desempenhar o nosso papel", afirmou Paulo Gato à margem da sessão preparatória para a posse dos novos deputados que vai ter lugar na terça-feira, em Luanda.

Também o deputado e presidente da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Ngola Kabangu, afirmou esperar do novo Parlamento um "bom" trabalho em prol da "consolidação da paz, reconciliação nacional e da reconstrução do país".

Outro parlamentar da FNLA, Carlinhos Roberto, filho do antigo líder deste partido, Holden Roberto, falecido em Agosto de 2007, disse que entra pela primeira vez na Assembleia Nacional para participar na "consolidação da democracia em Angola". "Apesar do MPLA estar em larga maioria, o que torna a vida da oposição difícil, vamos tentar fazer uma oposição construtiva", frisou Carlinhos Roberto.

Para o jurista e recém eleito deputado do MPLA João Pinto, trata-se de um Parlamento, que procura concretizar aquilo que considera ser a "consciência nacional", num país saído de uma guerra civil, com partidos políticos que eram beligerantes, nomeadamente o MPLA e a UNTTA, e que há seis anos "conseguiu repor a ordem constitucional".

"Apesar do MPLA estar em larga maioria, o que torna a vida da oposição difícil, vamos fazer uma oposição construtiva"

Carlinhos Roberto
Deputado da FNLA

"É necessário que o combate à pobreza e à exclusão social, como prevê o programa do Governo, permita consolidar a consciência dos angolanos independentemente das querelas político-ideológicas", defendeu João Pinto.

Por seu lado, o líder do Partido de Renovação Social, Eduardo Kuangana, que pela primeira vai assumir o posto de deputado, referiu que o seu objectivo no Parlamento será fazer o possível para permitir o desenvolvimento do país, nomeadamente as questões sociais que até agora as populações enfrentam.

Idêntico ponto de vista é partilhado por Nzola Pierre Mamona, vice-presidente da Nova Democracia União Eleitoral, considerando que esta coligação "vai atacar os problemas sociais mais candentes" que afectam a nação angolana.

"A nossa luta vai continuar até que o Governo consiga resolver minimamente os problemas. Por exemplo, em Luanda ainda se assiste a cenas em que centenas de milhares de populares percorrem largas distâncias com baldes à cabeça à procura de água. Isto não é aceitável, pois temos um país rico", enfatizou.

Já João Melo, jornalista e escritor eleito pelo MPLA, afirmou que "este é um Parlamento que abre um novo ciclo na vida política e institucional do pais". "Entrámos na normalidade constitucional e de quatro em quatro anos o povo será consultado sobre os destinos do país", frisou.

Nesta sessão, não compareceram alguns dos nomes mais sonantes dos eleitos a 5 de Setembro, como a primeira dama, Ana Paula dos Santos, ou "Tchizé" dos Santos, filha do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.*

Lusa

O general na reserva que foi um governador modelo no Huambo

Engenheiro de profissão, Paulo Kassoma, nasceu há 57 anos em Luanda, filho de pais oriundos do Bailundo. Em 1975, estava nas FAPLA, o braço armado do MPLA. Após a independência, ocupou sucessivamente os postos de vice-ministro da Defesa para o Armamento, vice-ministro e ministro dos Transportes. General da reserva, é membro do Bureau Político do MPLA. Assumiu a chefia do Governo do Huambo em l997, destacando-se na administração de uma província tida como um feudo da UNITA. Considerado um bom gestor dos bens públicos, a sua gestão naquela província, deu a vitória ao MPLA nas recentes legislativas. A escolha de Kassoma está a ser vista como parte de um processo de renovação do pessoal do MPLA nas estruturas do Governo e como uma recompensa pelo seu bom desempenho na administração do Huambo.