Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Angola. Campanha sobre reconciliação


Dezenas de cartazes com José Eduardo dos Santos foram colocados em Luanda.
(Foto DN)

Presidente apela à estabilidade e pede crescimento de dois dígitos

José Eduardo dos Santos quer unidade nacional e clima de concórdia

LUÍS NAVES

Dezenas de grandes cartazes com a imagem do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, surgiram esta semana em Luanda, com mensagens de "unidade", de "estabilidade política" e "concórdia social".

Segundo uma das frases, "precisamos de realizar o bem comum e trabalhar com amor ao próximo, para o bem de todos". Na campanha com citações do Presidente, faz-se também um apelo à pacificação.

Em declarações à Lusa, o porta-voz do MPLA, Norberto dos Santos - "Kwata Kanawa", explicou que a intenção destes cartazes é transmitir a garantia de José Eduardo dos Santos aos angolanos de que "não há razões para temer" uma eventual"ausência de diálogo", após a vitória do partido no poder nas eleições legislativas.

No mês passado, o MPLA conseguiu uma votação de 81%, contra apenas 10% da UNTTA, sendo as eleições consideradas livres e justas pelos observadores internacionais. Apesar da esmagadora derrota, o maior partido da oposição aceitou o resultado.

0 porta-voz do MPLA também explicou que José Eduardo dos Santos quis transmitir uma mensagem de "unidade e reconciliação nacional". Segundo Kwata Kanawa, esta campanha não está relacionada com as próximas presidenciais, previstas para Setembro de 2OOÇ, mas ainda sem data fixa.

"Consolidar a paz, manter a estabilidade política e reforçar a democracia" foram as palavras utilizadas pelo Presidente, no discurso que fez durante a cerimónia de tomada de posse do Governo, na segunda-feira. José Eduardo dos Santos pediu ao novo governo angolano para que crie condições que permitam "crescimento económico sustentado", acima de dez por cento ao ano. O programa do Governo deverá ser apresentado no Parlamento até ao final deste mes. Os sinais de pacificação interna de Angola podem ser vistos também em Cabinda, onde uma rebelião de baixa intensidade, lançada pela Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) tem ameaçado o poder de Angola.

Chefe do exército diz que Cabinda está controlada

O chefe do Estado-maior das Forças Armadas Angolanas, general Francisco Furtado, afirmou ontem, em declarações à Rádio Nacional de Angola, que a situação em Cabinda é "estável" e há apenas "crimes esporádicos", cometidos por elementos que passam a fronteira com a República do Congo e Congo Brazzavile. O militar garantiu que as medidas de controlo de fronteira tinham permitido "neutralizar" estes grupos.

Cabinda produz cerca de metade dos 2 milhões de barris de crude extraídos diariamente em Angola, que mantém um forte dispositivo militar no enclave (15 mil homens). A produção é sobretudo em offshore.*

ANGOLA SEM ALARME DE DOENÇA

A directora nacional de Saúde Pública de Angola, Adelaide de Carvalho, garantiu à Lusa que as autoridades angolanas não receberam qualquer informação oficial sobre a doença desconhecida que já matou três pessoas na África do Sul e que poderá ser febre hemorrágica Congo-Crimeia, que tem uma mortalidade de 30%. "Até hoje de manhã {ontem], não havia qualquer informação. Não recebemos qualquer informação do próprio país [África do Sul] nem da Organização Mundial de Saúde",afirmou Adelaide de Carvalho. O primeiro caso na África do Sul surgiu em meados de Setembro, tendo vitimado uma guia turística sul-africana que trabalhava na Zâmbia e dois trabalhadores de saúde. Uma das vítimas tinha sido mordida por uma carraça, o que é consistente com a tese de se tratar de um surto de Congo-Crimeia. De qualquer forma, esta doença terá uma propagação reduzida, pois não é transmitida pelo ar.