Quinta-Feira, 11 de Setembro de 2008


Populares festejam a vitória do partido de Eduardo dos Santos (Foto DN)

 

Eleições. Como na Europa, vitória esmagadora de partido não anula democracia

MPLA afasta regresso a partido único em Angola

Nova Constituição voltará à agenda de trabalhos do novo Parlamento

O porta-voz do MPLA recusou ontem a possibilidade de a esmagadora vitória alcançada nas eleições legislativas de sexta-feira possa levar a um sistema virtual de partido único em Angola. Respondendo aos jornalistas após a leitura da declaração de vitória nas legislativas, pelo vice-presidente, Pitra Neto, o porta voz do MPLA, Norberto dos Santos "Kawata Kanawa", fez a comparação com a Europa, onde as vitórias alargadas não conduzem a regressos dos partidos únicos, garantindo que "em Angola também será assim".

"Quando estas vitórias alargadas acontecem na Europa não se volta ao partido único, em Angola será a mesma coisa. Vamos continuar a respeitar a opinião dos outros partidos com assento no Parlamento, desde que contribuam para a reconciliação nacional, reconstrução e o desenvolvimento do país", assegurou.

Inquirido se pode ser aplicado em Angola o modelo chinês e como se vai coadunar a democracia com tão abrangente domínio da Assembleia Nacional pelo MPLA, "Kwata Kanawa" repetiu que "na Europa também é assim. Em todo mundo é assim, há partidos que conseguem 50% ou 80% e a democracia mantém-se".

Quanto ao MPLA estar já a preparar as presidenciais de 2009, "Kwata Kanawa" disse que essa matéria será tratada no Comité Central do partido, embora tenha assumido recentemente à Lusa que o chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, é o candidato natural "Kwata Kanawa" lembrou que em Angola não há tradição de candidatos independentes, embora pense que estes "vão aparecer". "Aqui são os partidos que propõem os candidatos. Um candidato que tenha a sustentação de um partido como o MPLA, naturalmente que não vai temer perder", disse.

Mas pode fazer temer os outros eventuais candidatos? "Não. Foram eleições legislativas, agora vêm as presidenciais e os partidos irão apresentar os seus candidatos", disse.

O porta-voz adiantou que a elaboração de uma nova Constituição é uma das "principais tarefas" do MPLA para a próxima legislatura, que deverá arrancar em Outubro. E recordou que na anterior legislatura a elaboração de uma nova Constituição estava em curso e foi a oposição que pediu para que esta tivesse lugar após as legislativas: "Noventa e oito por cento - do texto constitucional já estava preparado. A oposição é que pediu que fosse depois das eleições. Vamos retomá-lo agora, vamos discutir. O texto tinha participação da oposição e agora vai continuar a discussão no novo Parlamenta".*

LUSA