Sexta-feira, 18 de Setembro de 2008

Angola. Resultados finais: partido do Presidente obteve 81,64% dos votos


José Eduardo dos Santos: virar de página com maioria
reforçada (Foto DN)

MPLA elegeu 191 dos 220 deputados angolanos

Instituto sul-africano diz que pobreza deve ser a prioridade do Governo

O Movimento Popular de Libertação de Angola, MPLA, obteve 81,64% dos votos nas legislativas dos dias 5 e 6, conseguindo eleger 191 dos 22O deputados ao Parlamento, anunciou ontem a Comissão Nacional Eleitoral de Angola, CNE, citada pela Lusa.

Já com resultados definitivos, a União para a Independência Total de Angola, UNITA, surge em segundo lugar com apenas 10,39% dos votos e 16 deputados eleitos. Na próxima legislatura, que deverá começar em meados de Outubro, o Parlamento angolano vai contar ainda com oito deputados do Partido da Renovação Social, PRS, que conquistou 3.17%.

A coligação Nova Democracia, que é a grande surpresa das eleições, ficou em quarto lugar em número de votos, com 1,20%, conquistando dois assentos parlamentares. A histórica Frente Nacional de Libertação de Angola, a FNLA, apesar de ter conseguido três deputados, devido à boa votação conseguida no círculo eleitoral da província do Zaire, ficou em quinto lugar em número de votos, com apenas 1,1%.

Os restantes nove partidos e coligações que disputaram as legislativas angolanas ficaram todos abaixo de um por cento dos votos, não conseguindo, por isso, eleger quaisquer deputados ao Parlamento. Nas legislativas de 1992 houve muitos mais partidos a conseguirem ter representação parlamentar. Mesmo se alguns só elegeram um deputado cada.

A vitória esmagadora do MPLA, o partido do Presidente angolano José Eduardo dos Santos, faz com que a principal formação política do país passe a ter todo o poder para combater a pobreza da população e melhorar a distribuição. Isso mesmo afirma um relatório do Instituto de Estudos Estratégicos sul-africano, da autoria da portuguesa Paula Roque, ontem citado pela Lusa.

O partido de Eduardo dos Santos "será julgado pela sua capacidade de alargar a todos os indivíduos o seu círculo de beneficiários", afirma o relatório de situação depois de serem divulgados os resultados finais das eleições legislativas.

"O MPLA tem agora todo o poder para apresentar resultados na principal área de preocupação da vida social angolana: o alívio da pobreza", refere o documento do instituto. "Fora das três principais cidades, é negligenciável a melhoria nos sectores sociais, com grande percentagem da população, em particular nas zonas semi-urbanas de Luanda e rurais, sem acesso a agua, saneamento, electricidade, habitação, emprego, saúde e educação", defende, lembrando que os angolanos assistiram "a mudanças pouco significativas desde o fim da guerra [200]". l LUSA