Telémaco A. Pissarro
                 (Kota)
 

Independência de Angola

Quando vi na TV em directo as imagens da apresentação do mundial de futebol na África do Sul fiquei emocionado quando vi dançando na pista e também aplaudindo nas bancadas da assistência e em todo o lado pessoas de todas as etnias numa mistura amistosa de grande alegria.

Isto foi o resultado da independência daquela Nação onde reinava o arpartheid e que hoje está completamente transformada. Seria essa a situação que Angola deveria ter quando da sua independência em 11 de Novembro de 1975 se em vez do comunista Agostinho Neto, Angola tivesse um grande homem e estadista como Nelson Mandela que, não obstante todas as dificuldades encontradas, ultrapassou tudo e conseguiu uma independência do seu país para todos sem excepção.

Era essa convivência e cooperação multi-racial que todos nós aqueles que amávamos Angola desejáva-mos se a independência de Angola tivesse sido tal como ficou acordado e assinado no Acordo de Alvor pelos dirigentes dos três partidos ali representados, MPLA, UNITA e FNLA e que nunca chegou a ser concretizado. http://www.tpissarro.com/memorias16.htm

Se isso fosse concretizado, Angola seria actualmente uma grande nação sem praticamente necessidade de ajudas externas porque todos juntos tinha-mos a riqueza, tecnologia, conhecimentos técnicos e uma pesca e agricultura evoluidas para engrandecer uma Nação ao nível das melhores do mundo.

Tivemos a pouca sorte de não termos um grande estadista com a grandeza política de Nelson Mandela que lutou pela união do povo da África do Sul em vez da sua separação. Os dirigentes dos três partidos angolanos Neto, Savimbi e Holden tinham opções políticas diferentes mas, mesmo assim, comprometeram-se a fazer eleições livres para escolher um presidente e um governo que chegou a existir como provisório bem como um exército nacional que era formado por tropas dos três partidos. Havia, por isso, todas as condições para fazer eleições legislativas e presidenciais.

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Nelson Mandela

Nelson Mandela contra todas as dificuldades provocadas pelo aparteihd e não só, teve a suprema coragem para conseguir uma união de etnias em todo o país para poder sustentar uma economia nacional pelo menos semelhante há existente anteriormente.

Nós, infelizmente, tivemos em Portugal a revolução do 25 de Abril de 1974 feita por oficiais do exército português ultra-comunistas conotados com PCP português dos quais, o mais conhecido era o almirante-vermelho Rosa Coutinho pró-MPLA que foi comandante em chefe das tropas portuguesas ao tempo em Angola. http://www.tpissarro.com/25abril.htm

Se as eleições em Angola previstas no Acordo de Alvor fossem efectuadas, provavelmente seria eleito como presidente de Angola Agostinho Neto ou Jonas Sabimbi.

Havia todas as condições para serem feitas não fosse a desmesurada ambição política dos três representantes dos partidos políticos (que se estavam armando) principalmente Agostinho Neto de ideologia comunista que estava conotado com o almirante-vermelho Rosa Coutinho e, por isso, nas "costas" dos outros partidos deu-lhe todas as facilidades, inclusivamente cedendo todo o armamento e aquartelamentos das tropas portuguesas desmobilizadas antes do prazo estabelecido pelo Acordo do Alvor bem como as tropas angolanas, comandos e flexas que estavam no exército português e permitindo que armamento soviético moderno fosse desembarcado clandestinamente nalguns portos de Angola bem como tropas cubanas disfarçadas de cidadãos civis.

Holden Roberto tendo conhecimento da posição política e estratégica de Agostinho Neto também se armou com a ajuda da CIA para evitar que em Angola se instalasse um regime comunista tipo cubano como infelizmente veio a acontecer porque Holden perdeu a Batalha de Luanda.  http://www.tpissarro.com/batalhaluanda.htm 

Não fora a ambição desmedida pelo poder de Agostinho Neto apoiado por Rosa Coutinho que depois de ter recebido o armamento moderno da URSS clandestinamente e com um exército já razoável, desencadeou uma guerrilha urbana por toda Angola contra os outros partidos para os expulsar das cidades principalmente de Luanda, bem como a população branca, deitando por terra todas as expectativas que todos tínhamos de ir a eleições para eleger um governo e um presidente. Agostinho Neto fez exactamente o contrário do que fez o grande ex-presidente Nelson Mandela que será lembrado para todo o sempre como um grande político e estadista. Pelo contrário, Agostinho Neto será lembrado como um traidor que fez com que uma grande nação ficasse reduzida praticamente a ruínas por não ter feito um acordo com os outros partidos.

Devido à guerrilha urbana que provocou a saida forçada e programada pelo MPLA de pessoal qualificado, engenheiros, professores, técnicos, empresários, operários especializados, fazendeiros e agricultores foi o caos total (Agostinho Neto apercebeu-se disso mas tardiamente) e o princípio de uma guerra civil que durou anos e destruiu um país que, actualmente, apesar do seu grande desenvolvimento com a colaboração de pessoal estrangeiro ainda não se recompôs completamente.



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Há poucos dias comprei este livro "Autobiografia - NELSON MANDELA - Um Longo Caminho para a Liberdade". Tem 600 páginas e foi em poucos dias que o li tal era o meu interesse por saber quem foi este Grande Homem e a sua vida. Fiquei pura e simplesmente comovido e confirmo o que os comentadores dizem na capa do livro. "Este livro extraordinário deverá ser lido por toda a gente". Na minha opinião concordo em absoluto com o que este Grande Homem escreveu nos 27 anos que esteve na prisão a maior parte do tempo numa prisão situada numa ilha na África do Sul onde passava fome, partindo pedra e muitas vezes sendo insultado e agredido violentamente pelos guardas africanders. A comida na prisão eram papas de milho.

Embora licenciado por una universidade sul-africana, era um preso político membro do ANC, um partido que lutava pela independência do seu país e pelo fim do Apartheid mas ele nunca mostrou raiva e violência pelas políticas praticadas pelo governo dos brancos como alguns partidos dos negros mostravam com violência praticada nas ruas sabotagens e greves mas sugeria vientemente aos políticos de então, modificá-las como podereis ver pelos extractos dos textos que copiei do livro.

P150. Os africanos tinham uma necessidade desesperada de apoio jurídico nos tribunais: era proibido passar por uma porta com o letreiro «Só para brancos», era crime entrar num autocarro «Só para brancos», era crime beber numa fonte indicada «Só para brancos», era crime passear numa praia «Só para brancos», era crime estar na rua depois das onze horas da noite, era crime não ter o passaporte interno, era crime tê-lo mas com a assinatura errada, era crime estar desempregado, era crime trabalhar no local errado, era crime viver em certas zonas e era crime não ter sítio certo para viver.
Todas as semanas atendíamos velhos vindos das zonas rurais que nos contavam que geração após geração a família tinha trabalhado num pedaço de terra do qual agora estava a ser expulsa. Todas as semanas atendíamos mulheres idosas que toda a vida tinham fabricado cerveja africana como suplemento dos magros rendimentos e que agora se defrontavam com penas de prisão e multas que não podiam pagar.

P532. Fiz questão de deixar claro aos jornalistas o papel essencial dos brancos num novo regime que viesse a ser instaurado. Procurei nunca perder de vista este aspecto. Não tínhamos intenção destruir o país antes de o libertar e a expulsão dos brancos seria a ruína da nação. Disse que havia um meio-termo entre os receios dos brancos e as esperanças dos negros e que o ANC o saberia encontrar.
- Os brancos são nossos compatriotas sul-africanos, queremos que se sintam em segurança e saibam como apreciamos o contributo que têm dado para o desenvolvimento deste país.
«Todos os homens e mulheres que renunciem ao apartheid serão bem-vindos na nossa luta por uma África do Sul democrática e não racista; temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para persuadir os nossos compatriotas brancos de que uma nova África do Sul sem racismo será um lugar melhor para todos.

P575. Não esperem conduzir um Mercedes nem nadar na piscina das traseiras da vossa casa no dia a seguir às eleições. A vida não vai mudar drasticamente, apenas tereis mais autoconfiança e sereis cidadãos na vossa própria terra. É preciso ter paciência. Pode ser que seja preciso esperar cinco anos até que se vejam os resultados.
Não tomava atitudes paternalistas, lançava-lhes um desafio: - Se querem continuar a viver na miséria, sem comida e sem roupas, continuem a beber pelas tascas clandestinas do bairro. Se querem urna vida melhor, têm de trabalhar com afinco. Não podemos fazer tudo, têm de ser vocês a agir.
Perante audiências de brancos, disse-lhes que precisávamos deles e que não queríamos que deixassem o país. Que eram tão sul-africanos como nós e que a pátria também lhes pertencia. Não medi as palavras sobre os horrores do apartheid, repeti até à exaustão que tínhamos de esquecer o passado e de nos concentrarmos na construção de um futuro melhor para todos.

Em Angola nunca houve racismo como na África do Sul porque cada pessoa já depois de 1961 tinha o seu emprego de acordo com as suas habilitações e era respeitada. Antes de 1975 já existia um governo provisório formado pelos três partidos mas o MPLA cujo Presidente o "chibão" Agostinho Neto era o maior e mais bem armado porque o traidor tuga o "almirante vermelho" Rosa Coutinho (que o diabo já levou) permitiu a entrada en Angola meses antes da indepedência armamento russo, tropas cubanas e desmobilizou as 26 mil tropas portuguesas antes do tempo estabelecido no Acordo de Alvor ou seja em 11 de Novembro de 1975.

Como já disse anteriormente se Agostinho Neto tivesse sido um Grande homem como foi Nelson Mandela e não um comunista fanático que atacou os outros partidos, faria os mesmos discursos descritos acima que ele fez que convenceriam a maior parte dos brancos a ficarem em Angola evitando assim a guerra civil e a destruição do país. Angola seria actualmente um país bem melhor onde a sua riqueza seria distribuida pelo Povo e não só para alguns kuribekas governantes incluidos.

O Grande Nelson Mandela actualmente com 95 anos está internado num hospital sul-africano desde o início de Junho deste ano (2013) muito doente e provavelmente não durará muito mais tempo mas quando se for PAZ à SUA ALMA e que Deus o recompense pelo que fez pelo seu país.