3 de Abril de 2006

AS PARCERIAS PORTUGUESAS

DA FILHA DE EDUARDO DOS SANTOS

Isabel dos Santos é parceira de empresas portuguesas como a PT e a Iduna e poderá substituir a Cimpor na Cimangola. Grandes negócios em Angola ligados ao poder político.

PorAnabela Campos


Isabel dos Santos

Com quem irão os empresários portugueses fazer parcerias em Angola? É escassa a informação oficial sobre quem são os empresários angolanos. A pouca que existe encontra-se na imprensa local e liga os grandes negócios em Angola ao Estado ou a nomes relacionados com o poder político e o regime. As ligações nos negócios vão até ao mais alto nível na hierarquia, desde familiares do presidente José Eduardo dos Santos, a generais, ministros, ex-ministros e pessoas na órbita do poder.

Em Portugal, recentemente tem-se destacado o nome de Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola. A primogénita de Eduardo dos Santos tem-se associado a empresas e empresários portugueses como parceira estratégica para negócios tão distintos como a banca, as telecomunicações e o mobiliário de escritório. Licenciada em engenharia de informática, em Londres, Isabel iniciou-se nos negócios em 1997, com o projecto Urbana 2000 - empresa monopolista no negócio de limpeza e saneamento de Luanda, com um contrato anual de 10 milhões de dólares. A primeira parceria de Isabel dos Santos com empresas portuguesas de que há notícia é com a Portugal Telecom (PT), onde a empresária entra como parceira da Unitel, através da Geni APT, tal como a Geni, tem 25 por cento na Unitel, a maior operadora móvel de Angola AGeni foi o ponto de partida da Unitel e tem como fundadores, além de Isabel dos Santos, o brigadeiro Leopoldino Fragoso do Nascimento, chefe das comunicações da presidência, e, entre outros, António Van-Dúnem, ex-secretário do Conselho de Ministro, e Manuel Augusto da Fonseca, do gabinete jurídico da Sonangol.

Em meados de 2005, Isabel dos Santos torna-se accionista no Banco Internacional de Crédito, com uma participação de 25 por cento, posição igual à do empresário português Américo Amorim. Meses mais tarde, Américo Amorim, que entretanto tem intensificado as suas relações com Angola, forma um consórcio para a entrar na Galp em parceria com a Sonangol (15 por cento), consórcio que acabará por ficar com mais de 30 por cento da Galp. O jornal Expresso noticiou no fim-de-semana passado que, embora sem confirmação, é atribuído em Luanda a Isabel dos Santos uma participação na Galp, através do consórcio Amorim/Sonangol.

Já este ano, Isabel torna-se parceira de uma empresa bracarense de soluções de mobiliário de escritório, a Iduna, que irá criar em Angola uma fábrica de produção de aço. Mas, segundo o Expresso, Isabel dos Santos poderá voltar a cruzar em breve com empresários portugueses, desta vez como compradora da posição de 49 por cento da Cimpor na maior cimenteira angolana, a Cimangola, onde o Estado detém 51 por cento. A Cimpor entrou em litígio com Estado angolano - por razões que a cimenteira não tem explicado, mas que o Governo de Angola diz ser de ilegalidade na compra das acções -, e manifestou-se disponível para vender a posição na Cimangol, onde investiu 52,6 milhões de euros, e sair do mercado angolano.

Em Angola, os negócios de Isabel dos Santos passam também pelos diamantes - foi accionista da Ascorp - e pela hotelaria. São sempre negócios de milhões, aqueles em que Isabel dos Santos se envolve. Nunca é referida, todavia, a origem da sua fortuna, mas admite-se que tenha o apoio do pai, apontado como um dos homens mais ricos do mundo. •