Albano Neves e Sousa

Neves e Sousa o pintor de Angola

Angola nos deu tanta e tanta coisa boa, fundamental para a formação do povo brasileiro, para o que hoje somos! Deu-nos sangue, o bom sangue negro de Angola, deu-nos dança e canto, deuses trazidos da floresta, a obstinada disposição de luta, e invencível e livre capacidade de rir e de viver. Somos tão angolanos como quem mais o seja - Bahia e Luanda são cidades irmãs.

Não contente, Angola vem de nos legar, nas confusões do nosso tempo incerto, o pintor Neves e Sousa. Pintor de Angola, de sua paisagem poderosa, de sua poderosa gente, dos costumes, da magia e da realidade — ele tocou com seu lápis ou com seu pincel cada momento e cada detalhe do país e do povo. O sol de Angola imprimiu a cor definitiva da sua paleta.

Não posso senti-lo estrangeiro sob o sol da Bahia, as cores são idênticas, muitos dos nossos hábitos vieram de lá. Na beleza das mulheres há um toque de dengue angolano, na força e na esperança dos homens descortino a decisão da gente de África. Neves e Sousa, encontra aqui a irmandade dos países que têm em comum, além da língua, alguns bens decisivos de suas culturas nacionais. Não é estrangeiro no Brasil o artista de Angola.

Sob o sol da Bahia, Neves e Sousa prossegue a sua obra admirável e a leva aos quatro cantos do continente brasileiro, pois é andejo de natureza esse mestre pintor de árvores e bichos, de homens e deuses."

Jorge Amado

Biografia de Albano Neves e Sousa

Nasceu em 15 de Janeiro de 1921em Matosinhos. Fez o curso liceal em Luanda. Por motivos alheios à sua vontade deixou a sua Angola e fixou-se em Salvador, Bahia/Brasil, onde faleceu, em 11 de Maio de 1995.

As suas primeiras exposições foram em Angola, em 1936, no Andulo, e em 1937, em Luanda, com o apoio do jornal A Província de Angola.

Integrado na Missão de Estudos Etnográficos do Museu de Angola, trabalhou na recolha de elementos de etnografia e pintura, nomeadamente, em Quissama, Dondo, Moxico e Dembos.

Em 1943, obteve uma bolsa de estudos, da Câmara Municipal de Luanda. Fez o curso superior da Escola de Belas Artes do Porto, onde obteve os prémios "José Meireles Jr.", "Centenário Soares dos Reis", "Três Artes", "Rodrigo Soares", "Rotary Club do Porto 1950" e "Rotary Club do Porto 1951".

Participou no Grupo dos Independentes do Porto, de cujo núcleo fez parte nos anos de 1944 a 1950; tendo organizado, com Fernando Lanhas, a 1ª exposição de arte infantil no Porto, Galeria Portugália, 1949.

Defendeu tese em 1952 e regressou a Angola, passando a viver em Luanda.

Recebeu, também, mais os seguintes prémios: 1º prémio de aguarela da I Exposição de Artes Plásticas de Luanda; 2º prémio de pintura da Casa de Metrópole, em Luanda; medalha de bronze de "Caça e Pesca", Dusseldorf, Alemanha, 1954; 1º prémio, pastel, na exposição de artes plásticas da Câmara Municipal de Luanda, 1967; menção honrosa na Exposição Internacional de Desenho em Rijeka, Yugoslávia, 1970; medalha de ouro de desenho na Academia de Pontzen, Napóles, Itália, 1974.

Participou em várias exposições, designadamente, em: África do Sul, Angola, Bélgica, Brasil, Espanha, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Venezuela; e realizou viagens de estudo ao Brasil, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra e Itália.

Executou várias decorações em edifícios públicos em Angola (incluindo o Hotel Universo), São Tomé e Cabo Verde. No aeroporto internacional de Luanda, tem um trabalho em grafite com a área de 345m2. Executou também a decoração do Pavilhão de Angola na exposição de Bulawaio, Zimbawé, 1953. Em 1975 foi aos Estados Unidos decorar os interiores dos aviões "Boeing 737" dos Transportes Aéreos de Angola. Pintou, também, dois painéis para o Banco Auxiliar, no Brasil, em Salvador, 1981, e em Aracaju, em 1983.

Foi agraciado pelo Governo Português com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em 1963, e com a comenda da Ordem de Mérito, em 1993.

Está representado nos Museus: dos Açores; do Caramulo; da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa; Nacional Soares dos Reis, Porto; de Angola; de Ovar; da C.M. de Maputo, Moçambique; de Pontevedra, Espanha; de Arte da Universidade do Ceará, Fortaleza, Brasil; e em diversas colecções particulares, incluindo: rei Juan Carlos de Espanha; rei Semião da Bulgária; Unilever, Holanda; Nestlé, Suíça; dr. António Espírito Santo; dr. Manuel Espírito Santo; dr. Manoel Vinhas e Luís Miranda, de Portugal.

Faleceu em Salvador, Bahia, Brasil, em 11 de Maio de 1995.

http://www.salvadorcorreia.com/nevesesousa/jorge-amado.html 

ANGOLANO

Ser angolano é meu fado, é meu castigo
Branco eu sou e pois já não consigo
mudar jamais de cor ou condição...
Mas, será que tem cor o coração?

Ser africano não é questão de cor
é sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão nem mesmo de bandeiras
de língua, de costumes ou maneiras...

A questão é de dentro, é sentimento
e nas parecenças de outras terras
longe das disputas e das guerras
encontro na distância esquecimento!

Neves e Sousa

http://namibianotombua.multiply.com/journal/item/202/Neves_e_Sousa_Pintor_e_Poeta_Angolano

CAPA DO LIVRO

NOTA SOBRE O LIVRO “NEVES E SOUSA, PINTOR DE ANGOLA” 

Será posto à venda, dentro de breves dias, o livro “Neves e Sousa, Pintor de Angola”, que recorda a vida do grande pintor que viveu até aos anos 70 em Angola. O livro ilustra parte da obra que dedicou, sobretudo, à riqueza etnográfica e à beleza natural de Angola, mas também a outros países lusófonos, numa expressividade estética, inspiradora e emotiva, apenas possível pela vivência e identificação sentida pelas gentes e terras africanas. Motivos pelos quais é considerado um dos mais conceituados nomes da pintura lusófona contemporânea. 

No dia 25 de Outubro, pelas 17h00, na Livraria-Galeria Verney, em Oeiras, irá ter lugar a cerimónia de apresentação pública do livro, que é editado pela Sextante Editora, produzido pela Progestur. Foi coordenador do trabalho, o Eng.º Miguel Anacoreta Correia.

Características:
Título: Neves e Sousa, Pintor de Angola
Textos: Albano Neves e Sousa, Barão da Cunha, Jorge Amado, Lima de Carvalho, Luisa Neves e Sousa, e Miguel Anacoreta Correia
Formato: 29,7 x 22
Tiragem: 3000 exemplares
Design: André Lopes
Fotografia: Hélder Ferreira
Produção: Progestur – Associação para a Promoção, Gestão e Desenvolvimento do Turismo Cultural em Portugal
Edição: Sextante
Editora-Iniciativas Editoriais Livreiros, Lda.