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Última actualização: 21 Setembro, 2009 - Publicado às 14:08 GMT
Louise Redvers
BBC, Luanda

Presidente angolano marca 30 anos no poder


José Eduardo dos Santos é agora o segundo líder com mais tempo no poder depois de Kaddafi na Líbia
 

José Eduardo dos Santos assinalou esta segunda-feira 30 anos como presidente de Angola. Ele liderou o país e e o partido MPLA, durante a longa guerra civil e não há sinais de que se esteja a preparar para abandonar o cargo nos próximos tempos.

Com 67 anos, José Eduardo dos Santos é agora o segundo líder com mais tempo no poder depois do coronel Muammar Kaddafi da Líbia, na sequência da morte do líder gabonês Omar Bongo, em Junho.

Aparece poucas vezes em público e raramente fala aos media.

A permanência de Eduardo dos Santos no poder, e o seu apertado controlo político no país que não têm provocado desafios à sua presidência, têm sido creditados ao sucesso económico de Angola.
No entanto dois terços da população angolana continua a viver na miséria e existe um crescente descontentamento entre académicos, grupos da oposição e sectores da sociedade civil.

Alcides Sakala, porta-voz do maior partido da oposição, Unita diz que "existe uma pequena minoria que está a ficar cada vez mais rica e uma larga maioria a ficara cada vez mais pobre."

Os críticos falam de corrupção alegando que dinheiro do Estado e de negócios altamente lucrativos está a ser entregue a amigos e membros da família do presidente.

Falando à BBC, o advogado e activista da Associação Justiça, Paz e Democracia, Fernando Macedo, diz que ficar agarrado ao poder é uma doença africana.

Para o cientista político, Nelson Pestana, da Universidade Católica de Angola, José Eduardo dos Santos, está há tanto tempo no cargo que passou a governar o país como um autêntico monarca.

Durante os seus 30 anos como presidente de Angola, Eduardo dos Santos apenas enfrentou uma eleição, cujos resultados foram vigorosamente disputados e provocariam a segunda guerra civil angolana.

Esperava-se que eleições presidenciais tivessem lugar este ano, mas emendas constitucionais puseram estas previsões de lado.

Nas últimas semanas, um plano para eleições presidenciais indirectas tem gerado forte controvérsia, permancendo incerta a data para escolher o próximo presidente de Angola.

Existe uma pequena minoria que está a ficar cada vez mais rica e uma larga maioria a ficar cada vez mais pobre.

Alcides Sakala, porta-voz da Unita