05 Janeiro 2010 . 12h17m

Mártires de Cassanje exigem indemnizações

Milhares de camponeses dos campos de algodão da Baixa de Cassanje, Malange, em Angola, que se revoltaram em 1961 contra a "exploração", exigem uma indemnização a Lisboa.

José Fufuta, presidente da Associação de Apoio ao Desenvolvimento da Baixa de Cassanje (AADBC), reafirmou hoje, terça-feira, à Agência Lusa, o que já tinha dito ao semanário angolano O País, lamentando que Portugal esteja há vários anos a responder com "absoluto silêncio" aos seus pedidos.

Este dirigente associativo esclarece no entanto que o processo teve início já em 2003 e que a visita do primeiro-ministro português, José Sócrates, a Angola, em 2008, serviu para relembrar a exigência.  

Exigência esta que, explica José Fufuta, não é apenas para as vítimas da resposta do exército colonial ao levantamento da Baixa de Cassanje, mas sim para "toda a região", que teve neste episódio, a 04 de Janeiro de 1961, uma "forte condicionante" ao seu desenvolvimento que "ainda hoje marca" a área.  

UE rejeita envolver-se 

Em Novembro de 2008, explica, foi enviada uma carta à União Europeia a solicitar apoio para o pedido de indemnização ao governo português e em Janeiro de 2009 a comissão respondeu dizendo que na altura, em 1961, não existia a União Europeia e, por isso, não se envolveria neste assunto.  

José Fufuta considera a resposta "ambígua" porque "Portugal não deixou de ser país europeu", sublinhando que "esta resposta não agradou" porque "esconde a verdade".  

"Não paramos, vamos continuar a exigir a Portugal a indemnização, não só aos familiares das vítimas, mas a toda a população da área afectada pela exploração colonial", garantiu.  

Apelo à União Africana 

Este responsável informou que, perante o silêncio de Portugal e a ambiguidade da União Europeia, a AADBA vai, agora, avançar com um pedido expresso de apoio da União Africana para o desenrolar desta "luta justa" pelo "direito dos povos explorados pelo colonialismo" a serem indemnizados.  

Sobre o valor a que julgam ter direito ou a melhor forma de serem indemnizados, José Fufuta adiantou que não há um valor porque a situação carece de um processo de negociações "e só então será determinado o valor da indemnização.  

"Solicitámos o apoio do governo angolano, mas sem resposta até hoje", acrescentou.

"Mártires do Cassanje"

No dia 04 de Janeiro de 1961, cuja designação oficial para o calendário das efemérides é "Mártires do Cassanje", milhares de camponeses dos campos algodoeiros da empresa Cotonang, que monopolizava o sector à época, na província de Malange e em especial na chamada Baixa do Cassanje, sublevaram-se contra o poder colonial.

Sublevação camponesa motivada pela luta por melhores condições de vida ou uma acção com contornos políticos, organizada a partir do novo país e vizinho Congo, cuja independência ocorrera escassos meses antes, em 30 de Junho de 1960?

A dúvida começa a desfazer-se agora, com os historiadores a inclinarem-se cada vez mais para a génese política e organizada da Revolta da Baixa do Cassanje.

Sabe-se que a Revolta do Cassanje deu lugar à primeira resposta violenta, incluindo, pela primeira vez, o emprego da Força Aérea do poder colonial português no ataque a aldeias de camponeses.

Aida Freudenthal, investigadora do Centro de Estudos Africanos e Asiáticos do IICT, refere, no entanto, que os primeiros sinais de resistência dos camponeses da Cotonang datam de Dezembro de 1960, com a ausência de trabalhadores nos campos de algodão e a "recusa de pagamento de imposto".

Neste processo, surgiu o culto sincrético denominado "Culto de Maria", introduzido em Angola a partir do vizinho Congo.

Segundo a investigadora, com o alastramento dos "preceitos de Maria", através de "ritos iniciáticos", as populações passaram a "desafiar abertamente as autoridades e os agentes da Cotonang, convictos de que eram imunes às balas".

O indício de que se trataria de uma acção organizada com fins políticos está ainda, segundo a investigadora, no surgimento no local de insígnias do PSA (Parti Solidaire African, em francês), organização política com grande influência no vizinho Congo, saído há pouco da malha colonial belga.

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1462212

Comentários: Sr. José Fufuta há um ditado português que diz: "Quem tem telhado de vidro não atira pedras ao do vizinho" e o sr. está atirando pedras aos "vossos telhados" que são praticamente "todos de vidro". Sem dúvida que a revolta do Cassanje foi justa dadas as circunstância em ocorreu mas a "resposta" instigada pelo "feiticeiro Maria" é que não foi como poderá ver nos textos que estão no meu site que descrevem exactamente o que foi a revolta do Cassanje. http://rpissarro.com/cassange.htm   http://rpissarro.com/sublevacao.htm

Como quer pedir indemnizações a Lisboa, então é caso para lhe perguntar se me souber responder, porque Portugal ainda não pediu indemnizações ao Estado de Angola pela selvajaria ocorrida em 1961 no Norte de Angola onde foram assassinados traiçoeiramente à catanada milhares de civis, mulheres e criança inocentes pelos drogados da UPA ? Sabia que esses "testas de ferro" eram mandados para a frente drogados com "marufo" e "makonha" e que lhes era dito tal como o "feiticeiro Maria" disse que as balas dos brancos eram água (maza) ? http://rpissarro.com/memorias6.htm

Quem nos vai indemnizar pelos roubos feitos pelos então militantes do MPLA (alguns ex-presos criminosos e de delito comum soltos das cadeias porque o MPLA não tinha pessoal) com a conivência da tropa "comuna" do 25 de Abril (eu assisti pessoalmente a isso) e pelo património que deixámos e que até agora ainda existe sem nenhuma modificação e que são as cidades mais lindas de Angola como Lubango, Namibe, Benguela, Lobito e outras por onde passaram o sul-africanos porque as outras como Huambo e Kuito vocês destruíram tudo!

Até agora o Estado Angolano não nos indemnizou pelos milhões que ficaram depositados no Banco de Angola e que eram as poupanças de toda uma vida de trabalho dos portugueses a maior parte nascidos em Angola? Quem nos vai indemnizar também dos descontos que os funcionários públicos fizeram para o Cofre dos Funcionários Públicos de Angola cujo montante eram milhões e que ficaram também em Angola?

Sr. José Fufuta, quando não se conhece a verdade dos factos mais vale não escrever nada porque isso na vossa linguagem tem um nome: "MATUMBO" ! E já agora sugiro-lhe que com as suas petições envie também este texto com o meus comentários.