I 3 de Junho de 2010


Vasco Gonçalves, Otelo de Carvalho e Rosa Coutinho

Rosa Coutinho. O almirante vermelho que não mudou a história mas que fica na história

por Inês Serra Lopes, Publicado em 03 de Junho de 2010   

Chamava-se António Alva Rosa Coutinho e era oficial da Armada. Portugal só o conheceu depois da revolução, ainda capitão de fragata. Era um dos militares do MFA (Movimento das Forças Armadas). Na noite de 25 de Abril de 1974, um homem absolutamente calvo, ar imperturbável e sorriso cáustico aparecia na RTP, apresentado como um dos membros da Junta de Salvação Nacional.

Em 1975, já vice-almirante, coordenou a extinção da PIDE e da Legião Portuguesa. Partiu depois para Angola, onde substituiu Silvino Silvério Marques, que se demitira, passando em Outubro a presidente da Junta Governativa de Angola. Ficou até à assinatura do Acordo de Alvor. Corporizou a aliança entre o MFA e o PCP, como corporizou o ódio dos chamados retornados - que desarmou e depois expulsou para Lisboa.

Quem acompanhou o seu percurso recorda que, ao contrário de Silvério Marques, Rosa Coutinho muitas vezes não dormia no palácio do governador. Preferia passar a noite a salvo, na fragata que se encontrava na baía de Luanda.

Era uma figura discreta e misteriosa. Até escrever a carta "Os frangos depenam-se à mão", em que criticava o "cacarejar histérico" de Sá Carneiro e garantia que mandara libertar funcionários da ex-PIDE por terem "culpabilidade reduzida".

O general Loureiro dos Santos conheceu-o enquanto era secretário permanente do Conselho da Revolução (CR). Rosa Coutinho era o representante da ala vermelha, ideologicamente colada ao PCP. "Era um homem muito determinado e inteligente na defesa das suas posições", diz Loureiro dos Santos. Saiu do CR com o 25 de Novembro, exactamente por ser o almirante vermelho.

Não voltou a ter intervenção na vida política, apesar dos rumores de que tinha sido ele a conceber a estratégia do MPLA no fim da guerra. Teve vários negócios em Angola, todos ligados a militares e ao armamento. Foi sócio de Eurico Corvacho na Vesper, que exportava para Angola e empregava militares do MFA. Teve uma agência para pessoal do exército, entre voluntários e mercenários. "Não é um personagem que tenha mudado a história", diz quem o conheceu bem.

Rosa Coutinho morreu aos 85 anos com cancro mas a sua alcunha de almirante vermelho sobreviver-lhe-á. O funeral é às 15 horas. Com Rosa Ramos

AngoNoticias 4 Junho 20010

Rosa Coutinho travou apartheid em Angola

Em entrevista ao Jornal de Angola, o embaixador de Angola na Itália considerou o almirante Rosa Coutinho uma figura histórica da política portuguesa que soube ver ao longe o que devia ser o futuro das antigas colónias portuguesas, especialmente de Angola, ponderando sempre as opções e os equilíbrios que fez e que tinha que fazer para o país livre que temos hoje, independente e com vontade própria.

Manuel Pedro Pacavira descartou a ideia de que o almirante Rosa Coutinho tenha apoiado o MPLA, embora considere natural que nutrisse alguma simpatia por figuras ligadas ao partido, entre as quais Agostinho Neto.

O autor do livro Quatro de Fevereiro pelos próprios afirma que Rosa Coutinho, a quem coube a responsabilidade de conduzir o processo de descolonização de Angola, como presidente da Junta Governativa de Angola, em substituição do general Silvino Silvério Marques, o último Governador-Geral, soube gerir o período de transição de maneira a assegurar aos angolanos uma Angola sem perturbações de contornos difíceis, adoptando uma política de equidade que inclusivamente deu espaços para a FNLA e para a UNITA, enquanto um dos obreiros dos Acordos de Alvor.

O diplomata realçou a forma determinada como o almirante Rosa Coutinho se bateu, internamente, combatendo a reacção interna protagonizada por colonos saudosistas. Ele procurou adoptar uma política de equidade e os outros partidos (FNLA e UNITA) e muitos colonos não souberam aproveitar, porque não entendiam e porque estavam presos a paixões políticas, afirmou Manuel Pedro Pacavira, para quem Rosa Coutinho conduziu com sabedoria, inteligência e argúcia o processo de descolonização.

Manuel Pedro Pacavira opõe-se àqueles sectores da política portuguesa que defendem que Rosa Coutinho teria entregue Angola ao MPLA. Isto não é verdade, pois em qualquer processo de luta de libertação dos povos, as independências não se dão. Elas conquistam-se, defendeu o diplomata que, ao mesmo tempo, considera que mesmo que o tivesse feito não se equivocaram, pois foi para o bem quer dos angolanos, quer dos portugueses.

O histórico do MPLA recorre à estatística para mostrar que a história não está errada: Quantos portugueses se encontravam em Angola antes de 1974 e quantos portugueses se encontram hoje, participando no processo de reconstrução e desenvolvimento económico e social, e também buscando uma mais valia para si próprio com a sua presença em Angola?, questiona, sublinhando que desde o tempo colonial nunca houve tantos portugueses como agora, e tudo graças a um esforço do governo de Angola com a contribuição do movimento de 25 de Abril de 1974, representado pelo almirante Rosa Coutinho.

Sem esconder o abalo pela morte do antigo membro da Junta de Salvação Nacional, o embaixador Manuel Pedro Pacavira sublinhou que Rosa Coutinho é uma figura política portuguesa de boa memória para os angolanos e que merece a homenagem não só daqueles jovens angolanos saídos das cadeias em 1974, que emergiram da clandestinidade, dos guerrilheiros do MPLA, mas de todos esses jovens que com ele ombrearam por uma verdadeira independência de Angola.

Rosa Coutinho impediu o apartheid em Angola

O papel do almirante Rosa Coutinho na história de Angola não se resume à conquista da independência, como resultado imediato do processo de descolonização. Segundo o embaixador Manuel Pedro Pacavira, Rosa Coutinho merece e há-de merecer sempre a eterna homenagem do povo angolano, porque foi ele que, em 1974 e 75, ajudou também com as suas forças a neutralizar as forças de reacção que propugnavam por uma independência branca, com um regime igual ao do Apartheid da África do Sul ou o regime minoritário do Zimbabwe.

Manuel Pedro Pacavira considera imperioso que, sobretudo os jovens, saibam que a independência de Angola não caiu do céu como Maná. O histórico do MPLA acrescenta que só a Angola independente e livre pôde contribuir de forma determinante para a independência da Namíbia e o fim do regime do Apartheid na África do Sul. E o mérito do governo do MPLA, pelo qual Rosa Coutinho era livre de nutrir a sua simpatia, não foi só pela via das forças armadas, mas também da luta diplomática, nos mais diversos areópagos internacionais, como as Nações Unidas, em Nova Iorque.

Amado por muitos e odiado por alguns

A sociedade portuguesa e também a angolana, especialmente a classe política, recebeu dividida, a notícia da morte do almirante António Alva Rosa Coutinho. De um lado, a solidariedade dos que apoiaram o fim da ditadura salazarista, a descolonização e a instauração do regime democrático em Portugal, do outro, o escárnio dos neo-salazaristas aos quais se juntam os milhares portugueses que tiveram de abandonar as antigas colónias no ultramar, por causa do 25 de Abril.

O Jornal de Angola ouviu, ontem, Raimundo Narciso, ex-adjunto do secretário de Estado da Administração Interna, antigo opositor do regime salazarista (actuou na clandestinidade durante 10 anos), que destacou Rosa Coutinho como figura de proa da revolução do 25 de Abril de 1974 e do processo de descolonização que ditou a independência das antigas colónias portuguesas. "É uma pessoa por quem tinha grande consideração. Figura destacada na história da revolução e importante também na história dos angolanos, teve um papel muito importante na descolonização, pois desde a primeira hora esteve a favor da independência completa e total das colónias, afirmou.

O político reformado (retirou-se em Outubro de 2009, no fim do mandato do anterior governo do Partido Socialista) falou da controvérsia em torno da figura do Almirante Vermelho, desde os primeiros momentos após a queda do salazarismo. "O papel do almirante Rosa Coutinho gerou simpatias e ódios. Os colonialistas e também os portugueses que tiveram de regressar na sequência da descolonização (foram muitos milhares de retornados) criaram no seu seio uma onda de ódio contra a revolução e especialmente contra o almirante Rosa Coutinho, exactamente por causa do seu papel na independência das colónias, mas em contrapartida muitos portugueses e os povos dessas ex-colónias, claro que têm um carinho especial por ele e estão solidários nesta hora, disse.

As lamentações pela morte de Rosa Coutinho vêm também de uma figura angolana que assume o seu antagonismo face às posições defendidas pelo Almirante Vermelho, pela sua identificação ideológica, mas que lhe reconhece firmeza e verticalidade na defesa dos seus ideais. Contactado pelo Jornal de Angola, Ngola Kabangu, hoje chefe da bancada parlamentar da FNLA, assume que nunca foi de morrer de amores pelo almirante Rosa Coutinho, com quem chegou a privar durante as negociações dos Acordos de Alvor, para a independência de Angola.

Conheci o Almirante Rosa Coutinho no Hotel Penina, no Algarve, e guardo dele o registo de um negociador enérgico que defendia as suas posições enquanto representante do Partido Comunista Português, disse Ngola Kabangu, antes de afirmar que Rosa Coutinho, apesar de tudo, será sempre lembrado pela sua trajectória enquanto militar e político.

No seu portal na Internet, o Partido Comunista Português defende que com a morte do Almirante Rosa Coutinho desaparece uma das figuras mais relevantes da Revolução de Abril e os trabalhadores e o povo português perdem um aliado de todas as horas e um amigo de todos os momentos, e que quando chamado a integrar a Junta de Salvação Nacional logo na noite de 25 para 26 de Abril de 1974 – cargo para que foi nomeado pelos oficiais da Marinha do Movimento das Forças Armadas – o Almirante Rosa Coutinho desde logo assumiu claramente o seu posicionamento no campo mais progressista e avançado do MFA".

Em Abril de 1974, Rosa Coutinho era capitão-de-fragata. Foi um dos militares do Movimento das Forças Armadas que desencadeou a Revolução do 25 de Abril de 1974, tendo integrado a Junta de Salvação Nacional.

Em Outubro de 1974 é designado Alto-Comissário em Angola até a assinatura do Acordo de Alvor (em Janeiro de 1975). Rosa Coutinho passou à reserva após o 25 de Novembro de 1975.

http://www.angonoticias.com/full_headlines_.php?id=27761


Manuel Pedro Pacavira - Foto Kardo Betillo

Pacavira escreve sobre as memórias de Abril

Manuel Pedro Pacavira lançou o livro "Angola e o Movimento Revolucionário dos Capitães de Abril em Portugal" na Casa 70. O Embaixador de Angola em Itália escreveu esta obra com o objectivo de não deixar esquecer os momentos da guerra pela independência e principalmente para realçar os protagonistas da luta pela liberdade.

Rita Pablo

O autor revelou ao Factual que "esta é a experiência de alguns capitães de Abril que naquele momento conturbado do país apostaram as suas convicções políticas para uma completa descolonização e um futuro melhor para Angola e Portugal", para além disso acrescentou ser um contador de estórias e que "estes têm um papel de construir. Como tal, este livro também serve para construir novas relações com Portugal. Por isso, tenho de descrever o 25 de Abril de 1974 principalmente os três meses depois e o papel fundamental daqueles que ficaram aqui e acreditaram na independência de Angola. Procuro mostrar, também, que nesta luta o MPLA não estava sozinho tinha nacionalistas brancos com ele, como o caso de Jorge Pessoa".

Tal como o autor referiu durante o evento, este livro traz os protagonistas ao seu cenário. Assim, o Factual falou com Jorge Pessoa que esteve nas forças armadas angolanas e foi quem anunciou a retirada dos militares portugueses de Angola, pois esta já era independente. " No dia da revolta dos militares, 15 de Julho de 74, disse que guerra já tinha acabado pois havia já muitas mortes e até enfatizei o facto que se fosse preciso matava-me publicamente se as mortes continuassem. Tomei o forte da PIDE no São Paulo e exigi a prisão dos seus representantes".

A apresentação do livro teve a cargo da Professora Inocência da Mata que realçou a importância deste livro para a História de Angola e para o reviver dos seus momentos chave. De seguida Pedro José Van-dúnem, Ministro dos antigos combatentes e veteranos de Angola referiu que "os livros de Pacavira seguem a mesma linha de conduta e que este se dividia em 4 momentos fundamentais que transparecem os períodos importantes vividos na conquista da liberdade". Segundo o mesmo, esses momentos são uma análise que ajuda na compreensão da História e dos movimentos necessários até se chegar aos períodos da Independência e a resistência aos colonialistas, não esquecendo o papel proeminente do primeiro Presidente, Agostinho Neto.

No lançamento estiveram várias pessoas da sociedade angolana que se destacam nas mais variadas áreas, o ministro do Interior, Roberto Leal Monteiro "Ngongo, o bispo reformado da Igreja Metodista Unida, Emílio de Carvalho, vários ex-combatentes e personalidades do corpo diplomático acreditado em Angola, a viúva do primeiro Presidente, Eugénia Neto, a professora Maria do Carmo Medina, entre outras figuras de realce.

De relembrar que Manuel Pedro Pacavira é autor de várias obras como: "Gentes do Mato", "Boneca", "Nzinga Mbandi", "Ndalatando em Chamas", "O 4 de Fevereiro pelos Próprios" e "JES, Uma Vida em Prol da Pátria".

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Notas do editor deste site sobre o tema que o sr. Manuel Pedro Pacavira neste artigo da AngoNotícias escreve:

"Em entrevista ao Jornal de Angola, o embaixador de Angola na Itália considerou o almirante Rosa Coutinho uma figura histórica da política portuguesa que soube ver ao longe o que devia ser o futuro das antigas colónias portuguesas, especialmente de Angola, ponderando sempre as opções e os equilíbrios que fez e que tinha que fazer para o país livre que temos hoje, independente e com vontade própria."

Sr. Manuel Pedro Capavira, o que escreveu acerca do traidor Rosa Coutinho como não podia deixar de ser como embaixador de Angola em Itália, ele tinha de ser o melhor homem do mundo porquê? Porque entregou Angola de bandeja ao MPLA como ele mesmo afirma no vídeo acima, contrariando precisamente o que o sr. escreveu. Contra factos não há argumentos meu caro sr. e para confirmar o que ele diz no vídeo leia o texto da página Memórias 20 deste site e ficará a saber tudo o que o "mabeco" traidor Rosa Coutinho nos fez. http://pissarro.home.sapo.pt/memorias20.htm

E mais, No Acordo de Alvor (no qual ele nem sequer tomou parte porque apenas assistiu) http://pissarro.home.sapo.pt/memorias16.htm ficou acordado entre os três partidos MPLA, FNLA e UNITA que seria formado um exército nacional com 8.000 homens para cada um dos partidos e 24.000 para os portuguses até à independência. O Sr.sabe que esse mabeco fez? Certamente que sim. Desmobilizou antecipadamente as tropas portuguesas e mandou desarmar a população branca entregando todo o armamento, aquartelamentos e as tropas portuguesas africanas ao MPLA. Com isto ele conseguiu uma anarquia e caos total em Angola porque desencadeou uma guerra fracticida entre os três partidos. Esse traidor foi o principal causador da desgraça de TODOS nós.

Não acredito que o sr. não saiba disto tudo que eu mesmo presenciei escapando à barbárie que se instalou em todas as cidades de Angola principalmente em Luanda onde vivia. Pelo que escreveu leva-nos a acreditar que o sr. desconhece completamente o que se passou e se assim é, desculpe a minha franqueza mas é um ignorante que não conhece a história do seu país e mais, em Angola NUNCA houve "apartheid" de espécie alguma nem nunca haveria.

Mas há mais, o sr. como ministro da agricultura de época segundo os textos referentes ao 27 de Maio de 1977 que estão no meu site e que pode ler vários textos o sr. foi um dos repressores onde perderam a vida mais de 30.000 militantes do MPLA. Veja este texto (link) que o confirma com fotos e tudo: http://rubelluspetrinus.com.sapo.pt/maio.htm

Parece que não é necessário acrescentar mais nada, os leitores habituais deste site que são muitos que lerem os respectivos textos farão o seu juizo.