DN.jpg (3296 bytes)  Domingo, 25 de Outubro de 2009

Unita acusa MPLA de governar pelo medo

Angola. Isaias Samakuva admite que os membros da UNITA temem revelar publicamente a militância no partido com receio de sofrerem represálias

O presidente da UNITA, Isaias Samakuva, acusou ontem, no Huambo, o governo do MPLA de ter "instalado o medo em Angola" como Instrumento de repressão à liberdade de expressão".

Durante uma homenagem que o maior partido da oposição angolana prestou a Eduardo Ekumdi Daniel, antigo professor e nacionalista, morto em 1977, segundo afirma a UNITA, pelas tropas do MPLA, Samakuva defendeu que em Angola, hoje, "as pessoas até tem medo de ouvir" para não ficarem a saber de algo que os possa comprometer.

"Através do medo, o regime do MPLA instrumentaliza todos, mantém as pessoas cativas, deixou a sociedade angolana refém desta estratégia de controlo", apontou Samakuva num dos mais violentos ataques ao MPLA feitos nos últimos tempos.

Ainda usando o medo como referência, Isaias Samakuva admitiu mesmo que "por todo o lado, até os militantes da UNITA temem afirmar publicamente a sua militância porque sabem que isso pode ter custos para a sua vida pessoal".

Estas acusações ao MPLA foram proferidas pelo líder do partido do "Galo Negro"em Cachiungo, a cerca de 80 quilómetros da cidade do Huambo e a pouco mais de 30 da vila do Bailundo.

Nesta deslocação aos antigos bastiões da Unita durante a guerra em Angola, Samakuva e a direcção do 'Galo Negro prestaram homenagem aos "heróis esquecidos'' do nacionalismo angolano, cuja figura central foi Eduardo Ekundi Daniel, que fundou, em 1953 uma escola na aldeia de Manico, de onde saíram muitos dos nomes que hoje pontificam na sociedade angolana, desde a política à educação e à religião.

Nascido em 1906, Ekundi Daniel morreu em 1977, em Manico, durante a tomada da aldeia pelas FAPLA, forças armadas do MPLA, juntamente a mulher.Lúcia.»