OPERAÇÃO SAVANA - 1975

2 SAI e Forças Especiais Zulu com Grupos de Batalha Alfa & Bravo em Angola

O nascimento do Batalhão 31 como os Bosquímanos abandonaram a FNLA

O que conduziu à Operação Savana.

1975 - África está sendo invadida por aqueles que lhe tomam o seu dinheiro para armas da destruição, dos tractores que não trabalham, do débito e das drogas. Os povos africanos são subjugados a um sistema que deixa líderes ricos e países empobrecidos. América está no meio da guerra fria com a Rússia. Japão está entre ela e as ameaças comunistas, - russos e chineses. As emoções são elevadas sobre o perigo vermelho (comunismo) por todo o mundo.

Angola, rica em diamantes e outros minerais, com terra fértil é invadida por tropas russas devido ao abandono dos portugueses. A Rússia pediu a ajuda cubana e os cubanos vêm a Angola para a guerra. Angola é a última fronteira para África do Sul.

A República da África do Sul governa a Namíbia (África ocidental sul). O governo nacionalista está no poder. América aproxima secretamente África do Sul para ajudar a conter a ameaça comunista. África do Sul concorda mas não querem que se saiba geralmente que eles estão em Angola, começa assim uma acção militar secreta que resulta na Operação Savana. As fronteiras angolanas são já patrulhadas pelas forças militares sul-africanas, que são entre as melhor treinadas no mundo. O governo da África do Sul construiu uma barragem em Ruacaná que não desejam perder devido à falta da água na região e eles também estão com receio de terem um vizinho comunista. Estas foram as principais razões políticas para a guerra em Angola e Operação Savana.

ANTECEDENTES

Em 9 de Outubro de 1975 o coronel Koos Vad Heerden foi colocado no comando da Força Especial Zulu, a qual consistia do Grupo de Batalha Alfa (Battle Goup Alfa) e Grupo de Batalha Bravo (Battle Group Bravo) e algumas metralhadoras Vickers médias e morteiros de 81mm.

O Alfa consistiu em duas Companhias Bosquímanos sob o comando do Comandante Linford e Bravo de 3 Companhias de tropas ex-FNLA sob o comando do comandante Jan Breytenbach, com o comandante Boy du Toit a comandar o 2nd Batalhão de Infantaria Sul-Africano; a sorte tinha decidido que três dos melhores soldados da África do Sul estariam na vanguarda da intervenção dos Sul-Africanos.

Quando o comandante Linford se dirigiu às tropas e o seu discurso foi traduzido para bosquímano e Português todos aplaudiram quando os intérpretes chegaram ao ponto  que ele disse que eles estavam indo para a guerra. A audiência ficou bastante feliz sobre o facto de que os seus inimigos seriam SWAPO e o MPLA mas as coisas começaram a ficar um pouco confusas quando se lhes explicou que os aliados dos Alfas seriam a FNLA e a UNITA. Como poderiam eles esperar, lutar ao lado de seus jurados inimigos de 14 anos passados?

O Comandante Bosquímano, chamado Cuamama, foi mesmo até pedir que Rosa De Oliveira explique a Linford que ele estava enganado porque os seus inimigos foram tanto a FNLA como a SWAPO e o MPLA. Foi preciso todo o dia 12 Outubro para Linford explicar às suas tropas que a FNLA eram agora os bons rapazes. Quando o Bravo e o Alfa se juntaram em Katuita havia um ar da suspeita mútua com os Bosquímanos   de armas carregadas e prontas a disparar logo que viram as tropas pretas do Bravo.

PLAUSIVEL NEGAÇÃO

Não era suportos Zulu ser uma unidade Sul Africana a fim dar ao Governo Sul-africano negação plausível mas ambas as Unidades tinham o hábito de atrair os Sul Africanos para as suas Fileiras. Todo o equipamento Sul-Africano foi retirado incluindo os Unimogs e todas as tropas foram vestidas com uniformes portugueses, as armas automáticas G3, as botas de lona e cintos de couro. O transporte consistiu nos ubíquos caminhões vegetais portugueses que se tornaram tão característicos na Operação Savana.

Em 14 de Outubro Alfa saiu e a primeira coisa que foi "libertada" por Alfa foi uma retro-escavadora, que foi usada como um veículo da recuperação. A Força Especial foi tão longe para o Norte como Serpa Pinto, depois voltando a Sul, e em 19 Outubro eles tomaram Pereira de Eça. O MPLA consistindo em aproximadamente 150 homens foram para Roçadas. No dia seguinte 2SAI capturou esta cidade e Zulu ficou completamente irritado quando descobriram que o comandante du Toit os tinha batido. A cidade seguinte a cair foi João de Almeida onde capturaram um armazém completamente cheio de alimentos e de roupa. A cidade seguinte foi Humpata. Linford foi quase morto durante a noite em que um jovem emergiu de repente da obscuridade carregando uma Uzi e atirou uma rajada em Linford, que felizmente passou sobre sua cabeça. Linford recordou que era um miúdo, ele desarmou-o, e relata "… Eu tirei a arma pontapeando-o no traseiro e disse-lhe para desaparecer.

SÁ DA BANDEIRA

Sá da Bandeira caiu em 23 - 24 Outubro, outra vez muitas pilhagens foram feitas. A cidade seguinte a cair foi Moçamedes em 27 - 28 Outubro. Uma Corveta portuguesa estava no porto e "Proppies" disse-lhes para saírem de outra maneira ele a afundaria. Naturalmente este era puro bluff, porque Zulu não possuía nenhuma artilharia. Na manhã seguinte a Corveta tinha desaparecido. Em 30 Outubro o Alfa foi a Catula onde eles foram atacados pelo MPLA e após uma curta batalha o MPLA decidiu abandonar deixando 2 mortos. Na mesma cidade o Alfa matou outros 3.

Avançaram, então sobre para Quilengues, durante a noite onde um pelotão inimigo chegou muito satisfeito sem se dar conta que o Alfa tinha decidido parar a noite num desfiladeiro. Um Eland 90 eliminou o Land Rover matando 5 tropas das FAPLA e 1 oficial cubano, o resto da patrulha decidiu retirar-se e Quilengues caiu sem disparar um tiro.

Em 1 Novembro o Alfa alcançou Chongoroi, que encontraram abandonado. 20 quilómetros mais além o inimigo estava posicionado na ponte do rio de Coporolo, Alfa flanqueou estas posições mas encontraram que o inimigo tinha recuado. Em 2 Novembro o Alfa alcançou a estrada de Benguela/Catengue e colidiu com um pelotão em retirada o qual foi rapidamente eliminado.

Este foi um lugar muito adequado para se estar, porque mais tarde encontraram reforços movendo-se para Catengue, que foram tratados da mesma maneira. Em 4 Novembro Zulu foi reabastecido por ar e o 5 Novembro encontrou o Alfa perto de Paito, 30 quilómetros a sul de Benguela, onle eles encontraram casernas de instrução cubanas contendo 30.000Kgs de petróleo, café, rações e munições.

Em 5 Novembro o Alfa atacou Benguela e pela tarde de 6 Novembro Benguela tinha sido tomada. Pela primeira vez um Dakota da força aérea Sul-Africana aterrou no aeroporto de Benguela enquanto este estava sendo atacado.

É necessário dizer o avião foi descarregado em tempo recorde e Linford recordou que "era a única vez que eu sei que um Dakota levantou em ângulo recto à pista de descolagem". Pela tarde de 6 Novembro Benguela estava nas mãos de Zulus. Lobito caiu ao Alfa em 7 Novembro e o cenário em como Alfa entrou a cidade foi remanescente dos Aliados em WWII libertando cidades em França.

Em 10 Novembro o Zulu foi para o norte para Novo Redondo. O Alfa e o Bravo percorreram de um salto e continuaram até que o Alfa entrou numa emboscada no rio de Quicombo em 11 Novembro. Neste ponto 20 homens foram feridos quando uma bomba de morteiro explodiu próximo do pelotão do morteiro enquanto se posicionavam numa pedreira de cascalho. Em 14 Novembro foi tornado público que os Sul Africanos estavam envolvidos quando um jornalista britânico noticiou a participação da África do Sul na guerra civil de Angola.


Mapa de Angola indicando a posição da ponte do rio Queve.

Na manhã de 15 Novembro o Alfa moveu-se para Novo Redondo. O MPLA e seus aliados cubanos começaram agora a usar a estratégia de explodir pontes e isto eventualmente provou ser a ruína dos Sul-Africanos, porque eles não tinham equipamento para fazer (reparar) pontes. O alvo seguinte era Porto Amboim mas este ficou fora de seu alcance porque as pontes explodidas sobre o rio Queve o impediram.


Ponte do rio Queve que foi explodida. (foto particular)


Nova ponte do rio Queve (foto particular)

FREIRAS DESAFIAM O GRUPO DE BATALHA ALPHA.

Em 15 Novembro o Alfa tomou Villa Nova de Seles, Linford foi a uma igreja e encontrou dentro algumas freiras que o acusaram de conduzir um exército que violou e pilhou. Mais tarde nessa noite enviou um Oficial Português ao convento com rações e na manhã seguinte as freiras desculparam-se pelas suas observações da noite precedente. No dia seguinte Alfa tomou Conda, mas outra vez uma ponte destruída no rio de Queve fê-los parar.

Estavam a 500 quilómetros de Luanda mas este seria o mais próximo que as tropas Zulu obteriam como prémio. O Alfa retornou a Novo Redondo e Bravo então moveu-se para se juntar ao Grupo de Combate Foxbat na frente central. Um mesquinho respeito tinha crescido entre Bravo e Alfa. Em 9 Dezembro um barco de patrulha inimigo aproximou-se bastante perto para ser metralhado por metralhadoras e a vista do Presidente Steyn patrulhando a costa impulsionou o seu moral. Em Novo Redondo Linford adoptou uma família portuguesa. Ele nunca se deu por satisfeito por se situar na retaguarda e arranjando um barco de pesca, montou um 82m sem recuo e um canhão 20mm AA e decidiu tentar ele próprio a sua própria aterragem anfíbia. O seu plano era ultrapassar a boca do rio Queve em barcos de pesca 12 quilómetros acima da costa mas infelizmente o Quartel-General não concordaria com isto.

CONCLUSÃO

Alguns portugueses NCOs desgostados amotinaram-se e 22 anteriores Flechas pediram licença para abandonar e foram enviados para Rundu onde foram despedidos. Em 20 de Dezembro Alpha retornado para Caprivi, em 26 de Dezembro Linford foi substituído pelo comandante P C Myburgh e saiu. Ele voltou ao Sudeste em 31 de Dezembro de 1975. As vítimas do Alfa foram 1 morto num acidente, 1 morto em acção. Alfa considerou seus inimigos como pobres soldados porque estes deixavam equipamento e armas atrás enquanto fugiam. Um bosquímano aprendeu desde jovem nunca deixar qualquer coisa atrás.

http://www.macatilla.net/War_ops_savannah.htm