8. ABRIL. 2006

José Sócrates diz que Angola tem conseguido merecer o respeito internacional

No último dia de viagem, o primeiro-mmistro português incentivou os empresários nacionais a apostarem em Angola. Entre os investidores, Fernando Pinho Teixeira alertou que persistem "riscos a mais" no país africano. Sócrates anunciou ainda que os dois governos vão manter encontros mais regulares


José Eduardo dos Santos e José Sócrates (foto Público)

 

NUNO SÁ LOURENÇO (texto), MIGUEL MADEIRA (fotos), em luanda

"Que mil flores possam florescer como a Refriango [empresa de capital angolano e português] em Angola." A frase é do primeiro-ministro português, José Sócrates, numa das suas últimas iniciativas na visita oficial a Angola. O tom reflecte bem o entusiasmo e o propósito da visita - convidar os empresários portugueses a investir no país em parcerias com os angolanos. Em jeito de balanço da visita de quatro dias a Angola, o primeiro-ministro português destacou o "clima de confiança entre o Estado português e o Estado angolano", sentimento que garantiu ser partilhado pelos empresários portugueses.

Confessou sair do país com "uma impressão muito positiva": "Quem analisasse a situação há uns anos atrás e a analise agora nota a grande maturidade das instituições e uma evolução clara. Não há confiança na economia sem confiança nas instituições políticas", afirmou.

Sócrates destacou o "clima de abertura" em Angola e deu como exemplo da evolução o crescimento económico e o controlo da inflação: "Angola partilha do caminho da estabilidade nos seus indicadores macro-económicos." Era por isso que o país começava a ser visto com outros olhos. "Angola tem conseguido merecer a respeitabilidade da comunidade internacional", rematou. O governante português admitiu uma "nova expectativa" no sentido do desenvolvimento - "uma parceria de cooperação" entre os dois países, na área económica, cultural e educativa. Sobre este último aspecto considerou "um gesto da maior importância" o programa de envio de 200 professores para Angola. Sócrates anunciou ainda que os dois Governos acordaram "desenvolver encontros ao mais alto nível com maior regularidade, para que os assuntos possam ser executados com maior rapidez". Sobre o investimento privado português em Angola, Sócrates fez questão de frisar que se estava perante uma fase diferente. "Quem não apostar, perde uma oportunidade de beneficiar destas condições", alertou o primeiro-ministro, apesar de admitir que "não há investimento sem risco".

Visita aos investimentos portugueses

As visitas do último dia da viagem tinham o propósito de mostrar casos de investimento produtivo no país africano. Fernando Pinho Teixeira, que fez questão de fazer uma "pré-inauguração" às suas novas instalações fabris, assumiu um discurso não tão entusiasta como o da comitiva oficial, invocando a sua experiência de 14 anos de Angola.

"Quem pensa que não corre riscos [ao investir em Angola] está completamente enganado", afirmou, antes de considerar existirem "riscos a mais", que tinham "de diminuir". E deixou até um conselho de estratégia económica ao Governo: "Aquilo que digo é que não devemos investir noutro país o que faz falta em Portugal." A visita incluiu ainda uma passagem pela fabrica de refrigerantes da Refriango, inaugurada em Novembro, onde o ambiente foi diferente. Instalações a cheirar a novo .

A primeira paragem do dia para José Sócrates foi nas obras da Escola Portuguesa de Luanda. A fase inicial do investimento custou nove milhões de euros ao Estado. A segunda fase, no mesmo valor, deverá ser suportada através de "uma parceria público-privada", com os bancos que, de acordo com o secretário de Estado da Educação, José Pedreira, "têm interesse na construção da escola". •

O PÚBLICO viajou em avião fretado pelo Estado Português.