José Sócrates elogia em Luanda "trabalho notável" e "prestígio internacional" do Governo angolano

Sexta, 18 Julho 2008

Primeiro-ministro aposta nas relações comerciais com Luanda
através da criação de mais linhas de crédito

Ricardo Dias Felner

O primeiro-ministro afirmou ontem que o "trabalho que o Governo angolano tem feito é, a todos os títulos, notável". Falando na Feira Internacional de Luanda (Filda), no âmbito de uma visita de 24 horas a Angola, José Sócrates fez um discurso muito elogioso do Executivo liderado por José Eduardo dos Santos.

Citado pela agência Lusa, Sócrates revelou "confiança no Governo angolano" e sublinhou que o crescimento económico permitiu que aquele país "tenha hoje um prestígio internacional" e que "seja um dos países mais falados e reputados". Enalteceu ainda os seus "dinamismo", "vibração" e "entusiasmo".

Organizações internacionais, como a Transparency International, a Human Ríghts Watch ou a Amnistia Internacional descrevem Angola como um dos países mais corruptos do mundo, apontando ao Governo de José Eduardo dos Santos a responsabilidade por atropelos aos direitos humanos e às regras democráticas. O tema terá estado, no entanto, fora da agenda dos dois chefes de Governo.

Envio de 2OO professores

Já durante a manhã, Sócrates esteve mais virado para o anúncio de acordos. Em 2009, 200 professores portugueses poderão candidatar-se a dar aulas em Angola, através do Fundo para a Língua, um programa aprovado na quarta-feira em Conselho de Ministros. O mesmo fundo disponibiliza 30 milhões de euros e prevê o envio de um total de 600 docentes para países onde se fala a língua portuguesa.

Na segunda visita oficial de Sócrates a Angola, as relações comerciais entre os dois países voltaram, contudo, a ser a grande aposta.

Acompanhado pelo ministro das Finanças, o chefe de Governo português anunciou novas linhas de crédito, nomeadamente de ajuda a Luanda e aos investidores portugueses, no valor global de 1100 milhões de euros.

Enquanto Sócrates estava em Luanda, uma delegação de deputados angolanos da Comissão de Direitos Humanos terminava uma visita de quatro dias a Portugal.

Um grupo de cinco parlamentares angolanos foi recebido nas comissões de justiça e de ética do parlamento português, mas, segundo deputados ouvidos pelo PÚBLICO, nunca terão sido confrontados com a situação dos direitos humanos em Angola.

João Oliveira, do PCP, sublinhou a preocupação da delegação em se informar sobre alguns procedimentos, nomeadamente os relativos à imunidade parlamentar dos deputados.

Oliveira admitiu ainda que, em matéria de direitos humanos, no que se refere à "substância" do que se passa em Angola, essas questões não foram abordadas por implicarem "um debate político em que nem todos os partidos estão de acordo".

com Lusa