A VERGONHA  DA RECONSTRUÇÃO VS CIDADE DE LUANDA (1)

Correia Júnior

Em 29 de Março de 2007

Enquanto os mercados andam vazios e carentes de alguns produtos de maior relevância. Nos engarrafamentos de Luanda se você quiser comprar tábua de passar o ferro, antena de TV, calcinha, relógio de parede, sapato, é só esperar, não vai precisar chamar o ambulante já vai lhe incomodar.

As trapaças do transito começam as 8 da manhã e só termina às 23 horas, mas sempre vai aparecer alguém para vender o mosquiteiro, o cinto, o pára-luz e a cuecas que você estava precisar.

Com sorte, você leva para casa ventilador, três em um, toalha, churrasqueira, Pão, óculos de grau e a revista CARAS da semana, sem jamais se incomodar em achar uma vaga para estacionar.

Você pode se chocar com a pobreza de um lugar em que todo mundo parece viver de vender alguma coisa na beira da estrada. Ou você pode admirar a vitalidade e a capacidade de um povo que inventa uma maneira de sobreviver entre os escombros de uma guerra que durou quase os 30 anos da existência do país.

Portanto, no meu caso, depois de quatro dias tentando encarar tudo da maneira mais optimista, pois, que o país atravessa o momento mais corriqueiro de todos os tempos com este quadro sombrio cheio de bagunça. E o que os dirigentes e camada baixa da sociedade dizem é o que país está na fase da reconstrução.

A situação de Luanda é belíssima: a cidade fica à beira de uma baía que mais parece lagoa, protegida do mar aberto por uma península longa e bastante estreita que o pessoal aqui chama de "Ilha de Luanda". Onde a tónica dominante é o lixo nauseabundo vindo das fossas clandestinas de alguns ilhéus.

Ao longo da baía é uma copia, e porque não, clonagem do Brasil, mas não foi o actual governo do MPLA que construiu, mas podem crer que a coisa vai piorar com o projecto baía de Luanda.

Uma obra que terá duração de 12 anos, a iniciativa me faz recordar uma passagem de um amigo Brasileiro que disse: "o Projecto Baía é a execução do programa deixado pelos colonos Portugueses à pedido dos Brasileiros".

Isso não resta dúvidas porque tudo que está ser feito em Angola tem influencias externas, com realce aos Portugueses e Brasileiros, onde os nossos governantes tem um grau de afinidade muito marcado. No meu entender, o que falta é termos ministros Brasileiros e Portugueses ao serviço do Angolano, apesar de termos já um traficante Francês a representar os Angolanos na UNESCO.

Deixando de fora a estrutura do Estado, assim como o país que nos colonizou (Portugal) e Brasil como nosso influenciadores e também pobres.

A pobreza é evidente demais – basta sair da região central que a cidade vira um interminável "musseque", o termo kimbundo para gueto, ou então, periferias. Ao contrário que acontece nas outras cidades, a riqueza (ou a falta de pobreza) se esconde por trás de fachadas decrépitas e muros sem pintura. Deve ser mais ou menos como as ruas: a aparência pode ser lamentável, mas o engarrafamento é de jeepões japoneses com ar condicionado e os pobres com capacidades limitadas engarrafam as vias com Starlet e Corolas.

Saindo da beira-mar (onde fica a parte antiga) em direcção ao interior, a cidade apresenta um layout muito interessante, com avenidas largas e muitas rotatórias. Embora o socialismo instaurado com a independência já tenha dado lugar a um capitalismo pragmático, aqui e ali ainda se notam resquícios da era pró-soviética – como as avenidas Lenine e Ho Chi Minh, o cinema Karl Marx e a implicância da polícia com qualquer pessoa de posse de uma câmera fotográfica. Arquitetonicamente, a cidade (assim como aconteceu com Havana, perdoe a insistência) parou na época da revolução – no caso de Angola, em 1975.

Mas ainda assim, os angolanos não beneficiam do capitalismo, pois, que a única Democracia instalada em 1992, apenas tem uma hora de idade, e na boca das pessoas só fica o termo "Democracia".

Se por um lado o Estado nunca teve dinheiro para a manutenção dos prédios residenciais que já existiam, por outro lado também não conseguiu enfear a cidade com a horrorosa arquitectura institucional comunista. Dificilmente, no entanto, Luanda vai escapar agora da horrorosa arquitectura corporativa capitalista – os arranha-céus vêm aí.

Descontados os problemas de infra-estrutura (os elevadores que pararam de funcionar há 20 anos, os cortes frequentes de energia, o caos do trânsito, a necessidade de visitar supermercados de todas as redes para fechar a lista de compras), os "expatriados" não vivem mal, não. Há bons restaurantes – o melhor deles é o Bahia, do qual Flávia Virgínia, uma das filhas de Djavan, é sócia –, um clube nocturno muito bacana, o Palos, e os óptimos bares de praia da Ilha. A propósito, vai-se à praia em Luanda com um conforto e uma mordomia que nós só encontramos no Brasil em pousadas de altíssimo luxo à beira-mar.

Fonte. Club-k.net