20 de Julho de 2010     

Visita de Cavaco obriga dos Santos a acelerar
pagamento de dívidas

Recado: Presidente português pediu "aprofundamento da democracia" angolana, no dia em que desbloqueou pagamento de dívidas

BÁRBARA BALDAIA
enviada a Angola (serviço especial TSF)

Sem perder tempo, Cavaco Silva pôs em prática, no primeiro dia da vista, aquilo a que chama a cooperação estratégica com Angola em diversas vertentes. Logo de manhã, arrancou de José Eduardo dos Santos um compromisso importante: um calendário para pagar as dívidas às empresas portuguesas. Em relação às pequenas e médias empresas, o Presidente angolano assegura que as liquida "talvez num prazo de dois meses". Quanto às empresas de grande dimensão, será feito um pagamento de 40% inicialmente e depois será reescalonado o restante valor "talvez por um a dois anos".

As empresas portuguesas (sobretudo na área da construção civil} podem ver, assim, uma luz ao fundo do túnel em relação ao crédito de dois mil milhões de euros pendente com Angola. E foi também a pensar nelas que Cavaco Silva deixou a Eduardo dos Santos a garantia de que "Portugal quer estar ao lado de Angola no desafio do desenvolvimento". Nos jardins do Palácio Presidencial, o Chefe do Estado prometeu que as empresas portuguesas "darão o seu contributo para o desenvolvimento" de Angola. Precisamente esta manhã, Cavaco vai inaugurar a Novicer, Cerâmica de Angola, um investimento da Mota-Engil. E à tarde segue para a Feira Internacional de Luanda.

É uma evidência económica o facto de democracias consolidadas atraírem mais facilmente capitais estrangeiros e - certamente também por isso - o Presidente da República não passou ao lado do assunto. Discursando na Assembleia Nacional, Cavaco Silva deixou o recado: "A democracia é, quase sempre, uma obra inacabada, que exige atenção e um trabalho de consolidação permanente e de melhoria da sua qualidade." Por isso, defendeu a existência de "Parlamentos fortes", onde a oposição se faça ouvir e que fiscalizem de uma forma "atenta e responsável" a acção governativa. Uma lição de democracia a Angola é algo que o líder da UNITA - partido de oposição ao MPLA - espera de Cavaco. Esta tarde, Isaías Samakuva, quando se encontrar com o Presidente, não deixará de abordar o tema, apoiado na história democrática que se conhece desde o 25 de Abril. E Cavaco há-de lembrar, como fez ontem responsável" a acção governativa.

Uma lição de democracia a Angola é algo que o líder da UNITA - partido de oposição ao MPLA - espera de Cavaco. Esta tarde, Isaías Samakuva, quando se encontrar com o Presidente, não deixará de abordar o tema, apoiado na história democrática que se conhece desde o 25 de Abril. E Cavaco há-de lembrar, como fez ontem ao lado do homólogo angolano, que o pais que visita tem apenas oito anos de paz (a guerra civil acabou em 2002, com a morte de Jonas Savimbi) e que "depois da conquista da paz, está a fazer o seu caminho na consolidação da democracia". Ou, como também ontem frisou, que as últimas eleições (em 2008) tiveram uma "elevada participação popular".

20 de Julho de 2010

Cavaco quer Angola a pagar dívidas às pequenas empresas

por BÁRBARA BALDAIA
enviada a Angola (serviço especial TSF)

Vistos são outro dos assuntos que vão ocupar hoje Cavaco Silva e o seu homólogo José Eduardo dos Santos.

Sensibilizar as entidades angolanas para o pagamento das dívidas em atraso às empresas portuguesas é um dos grandes objectivos do Presidente da República nesta viagem. Esse há-de ser, assim, um dos temas a abordar no encontro desta manhã com José Eduardo dos Santos, a quem Cavaco Silva também deverá deixar a sugestão para que seja criado um mecanismo mais expediente para pagar às pequenas empresas.

Numa altura em que há indicações de que já começaram a ser pagas algumas dívidas, o Presidente, numa conversa com os jornalistas durante o voo entre Lisboa e Luanda, deixou clara a sua preocupação com as PME que estão instaladas em Angola, ao dizer que não quer se se pense só nas grandes empresas. É que os cenários de crise, como se sabe, atingem primeiro os mais pequenos.

Ao todo, estão instaladas em Angola cerca de 800 empresas portuguesas e as dívidas do Estado angolano ascendem a cerca de dois mil milhões de euros. Na semana passada, o ministro da Urbanização e Construção de Angola deixava a garantia de que as dívidas dos últimos dois anos (2008 e 2009) seriam pagas até Novembro, ao abrigo de um programa já aprovado por Luanda.

Segundo informações de Belém há dívidas que já começaram a ser pagas, o que adquire maior relevo no contexto desta visita, que Cavaco quer que sirva também para aprofundar a parceria estratégica com Luanda. No corredor do avião, o Chefe do Estado sublinhava que Angola é o quarto parceiro comercial de Portugal (depois da Espanha, Alemanha e França).

Também, por isso, Cavaco quer dar um novo impulso à tentativa de resolver o problema dos vistos, que se arrasta há anos. Em Angola, vivem mais de 85 mil portugueses, ao passo que em Portugal estão apenas 28 mil angolanos.

Aqui está Cavaco de novo em Angola. A primeira vez que cá veio foi com o Atlético de Lisboa, nos tempos em que corria. Depois em 2005, veio falar de construção democrática. Cauteloso nas palavras, o Presidente diz que tem havido avanços na democracia angolana. Só há oito anos é que o país está em paz e Cavaco faz questão de o relembrar.

23 de Julho de 2010         

Angola: Cavaco Silva homenageou Agostinho Neto

O Presidente da República, Cavaco Silva, que inicia esta segunda-feira uma visita de Estado de quatro dias a Angola com uma comitiva com mais de 135 empresários, homenageou o primeiro Presidente Angolano, Agostinho Neto.

A homenagem que Cavaco Silva prestou a Agostinho Neto foi feita no Largo da Independência, em Luanda, com a deposição de uma coroa de Flores.  

Após a homenagem, Cavaco Silva desloca-se, segundo o programa, para  a Presidência da República, na Cidade Alta, onde manterá o primeiro encontro com José Eduardo dos Santos. Em seguida, o chefe de Estado português integrará uma reunião extraordinária, onde discursará para os deputados angolanos, na companhia do Presidente do Parlamento, Paulo Kassoma.

O Presidente português termina o programa desta manhã de segunda-feira com uma cerimónia  de agraciamento ao cardeal D. Alexandre do Nascimento, em Luanda. Cavaco Silva leva a Luanda claros objectivos políticos e, não esconde que gostaria de regressar a Portugal com passos dados no sentido dos dois países criarem uma parceria estratégica institucionalizada, com encontros periódicos ao mais alto nível.

Sublinha ainda que «muitos empregos de portugueses dependem» do mercado angolano e que muitos empresários portugueses contribuem para o desenvolvimento de Angola. Actualmente vivem em Angola 86.374 portugueses, mais do que em 1950, e em Portugal residem pelo menos 28 mil angolanos.

Terminada a visita de Estado de quatro dias, o Presidente português ficará ainda mais um dia em Luanda, para participar, juntamente com o primeiro ministro José Sócrates, na cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

22 de Julho de 2010

Presidente português pede cuidado no relacionamento político com Angola

VISITA OFICIAL. Feliz por ter desbloqueado problemas às empresas portuguesas em Luanda, Cavaco Silva pediu respeito por Angola

BÁRBARA BALDAIA
enviado a Angola (serviço especial DN/TSF)

"Temos de ser muito cuidadosos com o nosso relacionamento político com Angola", advertiu ontem o Presidente da República, sublinhando que é preciso "nunca deixar dúvidas de que respeitamos Angola, os seus dirigentes e as opções do povo angolano".

Numa conferência de imprensa que deu ontem ao final da tarde no Lobito, já em jeito de balanço da visita oficial, Cavaco Silva defendeu que as relações com o país de José Eduardo dos Santos devem ser "inteligentes", porque "Angola é um mercado em expansão que pode ser aproveitado de forma crescente pelos empresários portugueses".

No saldo da viagem, o Chefe do Estado já leva uma vitória: um passo em frente na resolução das dívidas pendentes. Por isso, mostra-se satisfeito quando reencontra aqui alguns dos empresários que se queixaram, numa audiência com o Presidente antes da visita, desta situação: "Encontrei alguns empresários portugueses com um sorriso bem diferente daquele que tinha detectado no Palácio de Belém."

Cavaco confirmou que "já foram assinados vários acordos" para a liquidação da dívida e adiantou que "as autoridades [angolanas] querem que até ao final desta semana ocorram reuniões com todos os empresários das grandes empresas". O que está previsto é que o pagamento seja feito numa tranche inicial correspondente a 40% da dívida e as restantes tranches de forma faseada. Quanto às pequenas e médias empresas, Eduardo dos Santos adiantou que os credores receberão o dinheiro num prazo de dois meses.

O Chefe do Estado elogiou as declarações públicas do Presidente angolano, considerando que o momento "foi muito importante para repor um clima de confiança".

CPLP discute cidadania lusófona

A cimeira da CPLP de amanhã deverá ter em cima da mesa uma proposta portuguesa para a criação da cidadania lusófona. Foi o próprio Presidente da República que o avançou, na conferência de imprensa que deu ontem no Lobito. Cavaco Silva falava sobre o problema dos vistos que continua pendente entre os dois países. Depois de lembrar a resposta de José Eduardo dos Santos a essa mesma pergunta ("os aviões entre Lisboa e Angola andam sempre lotados"), Cavaco adiantou também que espera que o embaixador português "acompanhe" a proposta por ele lançada para a criação de um grupo de trabalho para agilizar a situação: "Agarrei numa proposta que já tinha sido feita há algum tempo por Angola." Depois, deixou o repto para que "não fique apenas nas boas intenções".

  23 de JUlho de 2010

Cavaco Silva desloca-se à província angolana de Benguela

por Agência Lusa, Publicado em 22 de Julho de 2010   

O Presidente da República visita hoje a província angolana de Benguela, onde atualmente existem mais de "50 empresas semi-paralisadas, ou em situação de subaproveitamento", podendo estas constituir oportunidades de investimento para empresários portugueses.

Os dados são revelados num estudo da Associação Industrial Portuguesa (AIP) sobre Benguela, que identifica os sectores das pescas e transformação industrial de pescado, a agricultura extensiva e o turismo, além de todo o tipo de infraestruturas viárias, como alguns dos prioritários em termos de investimento.

A deslocação que Cavaco Silva efetua hoje á província de Benguela acontece no âmbito da visita que realiza até quinta feira a Angola, acompanhado por uma delegação de pelo menos 115 empresários, a maior que alguma vez acompanhou uma visita de Estado de um Presidente da República.

E acontece um dia após o chefe de Estado português ter estado no Lubango, na província angolana da Huíla, onde foi recebido de forma entusiástica por milhares de crianças que encheram as ruas da cidade e entoaram canções de boas vindas.

As crianças encheram grande parte das ruas entre o aeroporto da Mukanka e o centro da cidade e mesmo a praça onde se encontra a sede do governo provincial, onde se reuniu a sós com o governador Isaac dos Anjos.

Benguela conta com uma população estimada em cerca de 1,5 milhões de habitantes, a maioria jovens, ou seja cerca de 10 por cento da população total de Angola, nas quatro principais aglomerações urbanas da província - Benguela, Lobito, Catumbela e Baía Farta.

Nas prioridades de desenvolvimento assumidas pelas forças político institucionais, além da indústria transformadora, agroindústria e "cluster" da alimentação, está também o sector do turismo, incluindo o investimento hoteleiro, restauração e oferta de serviços complementares, nomeadamente, ligados ao mar, refere o estudo da AIP, ao qual a agência Lusa teve acesso.

A vertente económica destaca-se na visita de Estado de cinco dias que o Presidente da República iniciou no domingo a Angola, e após a qual participará na cimeira de chefes de Estado das Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

23 de Julho de 2010

Cavaco defende aposta nas províncias

No último dia da visita de Estado, Cavaco Silva manteve-se fiel às questões económicas, que dominaram a sua estadia em Angola, e que logo no primeiro dia asseguraram o pagamento da dívida angolana de dois mil milhões de euros às empresas portuguesas.

Por:Janete Frazão

Na abertura do Fórum empresarial Angola-Portugal, o Presidente da República apelou à necessidade de os portugueses apostarem nas províncias de Angola fora de Luanda, lembrando que o papel da capital pode servir de "plataforma de acesso aos restantes países da África Austral".

O dia de hoje significa para Cavaco Silva um virar de página. O Presidente vai encontra-se com José Sócrates para participar na discussão mais polémica do momento no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): a adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da CPLP.

Com estatuto de observador da CPLP desde 2006, a Guiné Equatorial tem intensificado esforços diplomáticos para integrar a comunidade como membro de pleno direito. Este apelo estará hoje no centro das atenções dos Chefes de Estado e de Governo que marcam presença na VIII Cimeira da CPLP. A discussão não será pacífica.

A eventual adesão da Guiné Equatorial à CPLP tem esbarrado numa série de críticas por parte de organizações internacionais e responsáveis políticos dos estados lusófonos, que apontam o dedo às violações dos direitos humanos e cívicos e ao facto de a Língua Portuguesa não ser falada no país.

O primeiro-ministro, que ontem chegou a Angola para participar neste encontro, falou aos jornalistas para lembrar que a questão da Guiné Equatorial não será decidida, apenas discutida. "Nem Portugal, nem nenhum outro país, vai dar voto nenhum", garantiu Sócrates. "Vamos apenas registar que esse país quis aderir. Vamos analisar o pedido, e dizer que o recebemos com agrado", acrescentou.

Já o Presidente da República não reservou espaço na sua visita oficial para comentar esta questão.

PORTUGUÊS É PRIORIDADE

O Governo angolano apresentou ontem as prioridades para a sua presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que hoje se inicia com a VIII Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP. A promoção da Língua Portuguesa, diplomacia e concertação política e cooperação e desenvolvimento estarão em destaque.

A Língua Portuguesa centrou igualmente a visita oficial de Cavaco Silva a Angola, que ontem se deslocou à União dos Escritores Angolanos (UEA), onde felicitou o trabalho que têm feito pela difusão do Português em Angola. O Presidente da República apelou igualmente para que se dê cada vez mais estímulo às crianças para a leitura, em Angola como em Portugal. "Espero também que haja muito mais escritores angolanos a participar em feiras portuguesas", acrescentou Cavaco Silva.

Ainda na véspera da Cimeira da CPLP, o Chefe de Estado visitou uma escola de formação de professores em Benguela, onde defendeu o aumento em "dez vezes" do número de portugueses a formar professores no país de José Eduardo dos Santos.

Sobre o projecto Saber Mais, de formação de professores angolanos, Cavaco Silva considerou ser "uma aposta numa prioridade angolana, a formação dos recursos humanos. Um contributo português para o desenvolvimento de Angola na medida em que se formam aqueles que farão a Angola do futuro".